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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Conhecendo o SC-105 Amazonas SAR

 


O Exercício Operacional de Busca e Salvamento (EXOP Carranca), realizado em Florianópolis entre os dias 17 de abril e 7 de maio, reuniu na capital catarinense diversos Esquadrões e aeronaves da Força Aérea Brasileira, entre elas, dois exemplares do seu mais moderno e especializado vetor dedicado a cumprir missões de Busca e Salvamento (SAR, do inglês, Search And Rescue), o Airbus Defence and Space C-295, denominado na FAB como SC-105 Amazonas SAR. Durante o evento de Midia Day, ocorrido na sexta-feira (06/05), tivemos a oportunidade em conhecer a aeronave de perto e a partir de agora, compartilhamos com nossos leitores esta matéria especial, trazendo informações, fotos e detalhes de seus equipamentos e emprego operacional.


O C-295 é um bimotor turboélice de asa alta e porte médio, projetado para realizar missões de transporte militar tático, concebido e produzido na Espanha pela CASA (Construcciones Aeronauticas S.A., depois associada à EADS, Airbus Military e agora como parte integrante do grupo Airbus Defence and Space). Seu projeto teve origem a partir do CASA/Nurtanio CN-235, uma aeronave feita em parceria entre a Espanha e a Indonésia, porém, em relação ao seu antecessor, apresentava fuselagem mais alongada, uma capacidade de carga ampliada em até 50% e uma nova motorização. Os estudos de desenvolvimento do C-295 datam de meados dos anos 90, com o primeiro voo ocorrendo em 28 de novembro de 1997 e seu primeiro operador foi a Força Aérea Espanhola, encomendando nove exemplares em 1999. Equipado com uma rampa traseira de carga, capacidade de operar em pistas curtas e não pavimentadas e a sua versatilidade de emprego e configuração interna (podendo transportar 70 soldados equipados, 48 para-quedistas, 24 macas, cinco paletes medindo 2,24 m por 2,74 m ou ainda três veículos leves), fizeram com que o avião atraísse a atenção de outras nações. Atualmente encontra-se em operação em mais de 30 países, incluindo as forças armadas da Espanha, Polônia, Chile, Egito, Canadá, Tailândia, Brasil, Portugal, México, entre outras. Com o passar do tempo a fabricante lançou no mercado internacional diferentes versões especializadas do C-295, entretanto, a maioria delas não passou da fase de protótipos ou aeronaves de demonstração. Uma das poucas que alcançaram sucesso foi o modelo de Patrulha Marítima, chamado pela Airbus de C-295MPA Persuader, variante que serviu como base para desenvolver o modelo adquirido pela FAB para suas novas aeronaves de Busca e Salvamento.









SC-105 Amazonas SAR, FAB 6550.








SC-105 Amazonas SAR, FAB 6552

A história do C-295 no Brasil tem seu começo com o Projeto CL-X, concorrência lançada pela FAB no início dos anos 2000, visando a substituição dos veteranos C-115 Búfalo, na qual a aeronave espanhola saiu-se vitoriosa. O Brasil adquiriu um total de doze aeronaves C-295M, aqui designadas como C-105A Amazonas e matriculadas de FAB 2800 a FAB 2811, sendo destinadas inicialmente ao Primeiro Esquadrão do Nono Grupo de Aviação (1º/9º GAv, Esquadrão Arara), sediado em Manaus (AM), com os primeiros exemplares chegando em 2007. No ano seguinte foi a vez do Esquadrão Onça (1º/15º GAv), com sede em Campo Grande (MS) ser equipado com o avião. A confiabilidade do aparelho somada as suas características de operação fizeram com que a partir de 2009, dois exemplares (FAB 2810 e FAB 2811) fossem alocados ao Esquadrão Pelicano (2º/10º GAv), também baseado na capital sul-mato-grossense em substituição aos SC-95B Bandeirante-SAR. Para cumprir essa função algumas modificações foram feitas, com a instalação de um kit contendo dois assentos dispostos nas laterais para observadores e a colocação de duas janelas no formato "bolha" permitindo uma melhor visualização externa, incluindo também um armário para equipamentos. Esses dois aviões passaram a partir de outubro de 2010 a serem designados como SC-105, recebendo uma faixa laranja no topo do estabilizador vertical com a inscrição SAR, além de outras pequenas modificações visuais na pintura.

SC-105 Amazonas, FAB 2810 (abr./2012). Fonte: Arquivo pessoal do autor.

SC-105 Amazonas, FAB 2811 (Mar./2015). Fonte: Arquivo pessoal do autor.

Os anos de operação junto ao Esquadrão Pelicano com os C-105 modificados forjaram novos conceitos e doutrinas de operação e novamente as qualidades do avião ficaram evidentes também na missão SAR, demandando junto ao Alto-Comando da FAB, a intenção em aprimorar ainda mais o serviço prestado pela Unidade Aérea. Sendo assim, foram adquiridos em 2014, três exemplares novos de fábrica do C-295, desta vez especialmente configurados para desempenhar com o máximo de eficiência a tarefa de Busca e Salvamento. As novas aeronaves foram denominadas como SC-105 Amazonas SAR e receberam as matrículas militares FAB 6550 a FAB 6552, tendo a primeira delas sido incorporada ao serviço ativo em 3 de agosto de 2017. No dia 24 de novembro de 2019 o FAB 6551 foi recebido, sendo este o primeiro exemplar equipado com a sonda fixa de reabastecimento em voo. Finalmente, em 14 de dezembro do ano seguinte, a dotação do Esquadrão se completou com a chegada do FAB 6552. No intervalo de tempo entre a chegada dos novos vetores, os dois SC-105 Amazonas então utilizados pelo 2º/10º GAv foram repassados de volta ao 1º/15º GAv, retornando ao cumprimento da missão de transporte. Recentemente o FAB 6550 retornou das instalações da Airbus, em Sevilha, na Espanha, onde também recebeu os equipamentos para reabastecimento em voo, unificando e padronizando assim toda a frota do modelo.


Detalhe da seção dianteira da fuselagem.

Seção central, com destaque para o motor PW127G e a carenagem que abriga o trem de pouso principal.


Seção traseira da fuselagem.

A faixa na cor laranja com a inscrição SAR (abreviatura de Search And Rescue, Busca e Salvamento) obedece a padrões internacionais, facilitando também que a aeronave seja avistada à grande distância.

A sigla também encontra-se disposta no topo do estabilizador vertical.

Designação e matrícula do modelo.

Rampa traseira aberta, mostrando o compartimento interno, que pode ser configurado de diferentes formas, de acordo com os diversos tipos de missão. Crédito: Luciano Porto/www.spotter.com.br

Os três SC-105 Amazonas SAR do Esquadrão Pelicano são aeronaves altamente especializadas e incorporam modernos sensores e equipamentos no "estado da arte", elevando significativamente a capacidade operacional do Esquadrão e do Serviço de Busca e Salvamento da FAB. Externamente o que chama a atenção são a torreta EO/IR (Electro-Optical and Infrared) FLIR System Star SAFIRE instalada sob o nariz, o radar de busca multimodo ELTA EL/M-2022A(V)3, disposto na parte inferior da fuselagem, as antenas que compõem o sistema de comunicação via satélite, além das quatro janelas em forma de bolha (duas de cada lado da fuselagem) e da sonda fixa de reabastecimento em voo. Do lado de dentro, a grande estrela é o FITS (Fully Integrated Tactical System, Sistema Tático Integrado), considerado o "coração" de todo o sistema, composto por um console que reúne e organiza todas as informações coletadas pelos sensores externos em uma de suas duas telas. Importante ressaltar que na cabine de comando existe uma tela central, onde as imagens obtidas pela torreta FLIR ou as informações mostradas no console dos operadores podem ser replicadas em tempo real para os pilotos. No mais, o painel de instrumentos é idêntico aos Amazonas de transporte. Além disso o avião conta com um lançador interno de fumígenos para demarcação de algum ponto de interesse na superfície, evitando que a aeronave tenha que abrir a rampa traseira, tornando essa ação mais rápida e eficiente. O ganho operacional do Esquadrão com estas aeronaves para desempenhar suas missões é inegável, permitindo que buscas por objetos ou pessoas possam ser realizadas com a mesma efetividade em qualquer tipo de condição meteorológica, tanto de dia quanto à noite.


Fonte dos infográficos: Revista Aerovisão, n.252, abril/maio/junho/2017, pp.18-23.

Torreta do sistema FLIR System Star SAFIRE, composto por um conjunto de sensores eletro-óticos e infravermelhos, capazes de identificar objetos ou alvos, de dia ou de noite, podendo aproximar a imagem até 71 vezes e possui recurso de gravar e armazenar informações por até seis horas.

Carenagem que abriga o radar multimodo de fabricação israelense ELTA EL/M-2022, com alcance de detecção de até 370 km em todas as direções, podendo rastrear cerca de 2 mil alvos e monitorar 640 deles simultaneamente. É capaz de identificar pequenos objetos no mar, como um bote, por exemplo e opera em qualquer condição meteorológica, de dia ou de noite.

Janela do tipo bolha, que permite um excelente campo de visão aos observadores a bordo.

Esta lança que se prolonga à frente do avião permite que a aeronave seja reabastecida em voo, aumentando consideravelmente o tempo de missão.

Console do sistema tático FITS, que reúne e organiza todas as informações coletadas pelos sensores externos, além das câmeras utilizadas pelos observadores. Crédito: Luciano Porto/www, spotter.com.br



Assentos destinados aos observadores e demais equipamentos empregados nas missões de busca. Crédito: Luciano Porto/www.spotter.com.br

Lançador interno de fumígenos para a marcação de alvos na superfície. Crédito: Luciano Porto/www.spotter.com.br

O painel de instrumentos de SC-105 Amazonas SAR é idêntico aos Amazonas de transporte, com exceção da tela central, na qual são captadas imagens em tempo real vindas da torreta EO/IR ou encaminhadas pelo sistema tático FITS. Crédito: Luciano Porto/www.spotter.com.br


A aquisição destes três aviões vem reforçar e ampliar a capacidade da nossa Aviação de Busca e Salvamento, uma das mais respeitadas e reconhecidas no mundo, somando-se aos demais meios aéreos existentes em outras Unidades Aéreas da FAB que tem a nobre tarefa de salvar vidas entre suas atribuições. Convém ressaltar que este não é um trabalho simples, pois o Brasil é responsável por planejar e executar missões de busca e resgate em uma área equivalente a 22 milhões de quiômetros quadrados, englobando seu território, a região marítima chamada de Zona Econômica Exclusiva, além de uma vasta porção do Atlântico Sul, área esta equivalente a mais de duas vezes toda a extensão do continente europeu. Para todos aqueles que já precisaram ou para quem um dia venha em alguma situação, necessitar do socorro que vem dos céus, fica a certeza de que ele virá e agora, mais preparado do que nunca.





1 comentários:

Fabio Bittencourt disse...

Parabéns Pampa, matéria bem completa sobre o SC-105 e seu emprego SAR na FAB. Me atualizei sobre o Amazonas SAR .

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