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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Espetáculo no Ar: Um show de cores e audácia pelos céus do mundo - Parte 1

 


Quem nunca viu uma apresentação ou pelo menos ouviu falar da Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira? Difícil, não é mesmo? Entretanto, o que talvez muitas pessoas não saibam, principalmente aquelas que não vivenciam a Aviação no seu dia-a-dia, é que ter uma Unidade Aérea dedicada a realizar demonstrações aéreas não é exclusividade do Brasil. Muitos países ao redor do mundo mantém um ou até mais esquadrões militares acrobáticos. Considerados verdadeiros Embaixadores dos Céus, fazer parte de uma destas equipes representa uma aspiração e um sonho para muitos pilotos, porém apenas um punhado deles têm a honra de integrar um destes times de elite. Utilizando-se de aeronaves dos mais variados tipos e formas, desde turboélices a potentes supersônicos ou até mesmo helicópteros, apresentando uma diversidade de cores, manobras e número de aeronaves envolvidas, todas têm em comum, talento de sobra e performances arrojadas, encantando o público por onde passam com suas apresentações técnicas e audaciosas.

Embora a atividade acrobática seja quase tão antiga quanto a própria Aviação Militar, as primeiras equipes de demonstração aérea dedicadas surgiram logo após o término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Muitas das manobras apresentadas ao público nasceram durante os combates aéreos ou fazem parte do treinamento e do cotidiano dos pilotos militares, envolvendo voos em formatura, curvas de alta performance, cruzamentos e manobras acrobáticas dos mais diversos tipos. Cada Unidade Aérea tem sua identidade e uma sequência própria de manobras, que são exaustivamente treinadas para garantir a segurança e a precisão do espetáculo. Além de demonstrar a qualidade da formação de seus pilotos, muitos desses times também representam suas indústrias aeronáuticas nacionais, utilizando aeronaves fabricadas em seus próprios países. O blog Aviação em Floripa convida você a partir de agora a conhecer os principais Esquadrões de Demonstração Aérea em atividade atualmente espalhados pelos cinco continentes. Então, garanta seu lugar e bom show!!!

Nota Editorial: Apesar de alguns países utilizarem-se de apenas uma aeronave para demonstrações aéreas, esta série de artigos abordará as equipes oficiais formadas em torno de uma Unidade Aérea ou Esquadrilha constituída para esta finalidade, compostas geralmente por quatro ou mais aeronaves. Nosso levantamento apontou quase meia centena de esquadrões de demonstração que se encaixam neste perfil, sendo assim, para não ficar muito extensa e cansativa, resolvemos dividir a matéria em algumas partes e oportunamente estaremos publicando um novo conteúdo a respeito deste fascinante tema. Para cada equipe, iremos apresentar aos nossos leitores sempre que possível, um breve texto e um quadro-resumo exclusivo trazendo as principais informações históricas e de operação, fotos, perfis e desenhos com os padrões de pintura, além de um vídeo contendo detalhes da aeronave utilizada e das manobras executadas. 




Crédito: SAAF

O início do que viria a se tornar a atual Equipe de Demonstração Aérea da África do Sul remonta ao ano de 1953 com a criação dos "Bumbling Bees", voando com os jatos De Havilland Vampire, seguindo ativa até meados da década de 50, quando foi extinta. Com a chegada dos Aermacchi MB-326 em 1966, fabricados sob licença pela Atlas e denominados localmente de Impala, surgiu novamente a ideia de se criar uma equipe de exibição. Nascia assim no ano seguinte os "Silver Falcons" (Silwer Valke, em africâner), composto por quatro MB-326 Impala, apresentando uma pintura em alumínio, mantida até 1985, quando foi alterada para um esquema nas cores prata, branco, laranja e azul, numa referência ao Pavilhão Nacional. Três anos mais tarde, uma quinta aeronave foi adicionada ao time, fazendo o papel de solista durante as apresentações. No final de 1995, logo após serem tranferidos para a Base Aérea de Hoedspruit, a equipe foi dissolvida mas não demoraria muito para ressurgir. Em 1999 os Silver Falcons renascem, agora equipados com quatro turboélices Pilatus PC-7 nas cores branca e vermelha, a pintura padrão utilizada pela Escola de Voo Central, em  Langebaanweg. O ano de 2008 viu a incorporação de mais duas aeronaves ao time e a adoção de um esquema próprio de pintura, que permanece até os dias atuais. Em 2012, a equipe ganhou uma aeronave de apoio, um C-47TP Turbo Dakota, batizado de "Gooney Bird" e pintado nas mesmas cores, entretanto, sua história com os Silver Falcons foi curta, vindo a se acidentar em dezembro do mesmo ano, vitimando 11 pessoas a bordo, entre tripulação e equipe de apoio.

Atlas MB-326 Impala, primeiro padrão de pintura (1967-1985). Fonte: aerobaticteams.net

Atlas MB-326 Impala, segundo padrão de pintura (1985-1994). Fonte: aerobaticteams.net

Atlas MB-326 Impala, terceiro padrão de pintura (1994-1995). Fonte: aerobaticteams.net

Perfil lateral - Atlas MB-326 Impala (1985-1994). Fonte: http://wp.scn.ru/

Perfil lateral - Atlas MB-326 Impala (1994-1995). Fonte: http://wp.scn.ru/

C-47TP Turbo Dakota "Gooney Bird". Crédito: Gary Shephard


Tendo como objetivos principais, promover a Força Aérea da África do Sul (SAAF), inspirar os jovens na carreira militar e incentivar o orgulho nacional, a aeronave atual utilizada pelos Silver Falcons é o Pilatus PC-7 Mk.II Astra, treinador turboélice de fabricação suíça amplamente empregado na formação dos futuros pilotos militares, sendo utilizado por mais de 30 forças aéreas, inclusive pela África do Sul. A sede atual da equipe é a Base Aérea de Langebaanweg, situada próximo à Cidade do Cabo, onde também se localiza a Escola Central de Voo. Diferente de outras equipes, onde pilotos e técnicos dedicam-se exclusivamente à rotina de treinamento e às apresentações, aqui os integrantes dividem seu tempo como Instrutores de Voo, no caso dos pilotos e os técnicos, no desempenho das tarefas relativas às suas especialidades.

Pilatus PC-7 Mk.II Astra, primeiro padrão de pintura (1999-2008). Crédito: aerobaticteams.net

Pilatus PC-7 Mk.II Astra, segundo padrão de pintura (2008-      ). Crédito: SAAF

Perfil lateral - Pilatus PC-7 Mk.II Astra (1999-2008). Fonte: http://wp.scn.ru/

Perfil lateral - Pilatus PC-7 Mk.II Astra (2008-      ). Fonte: http://wp.scn.ru/



Clique sobre a imagem para assistir ao vídeo. Crédito: Silver Falcons





Crédito: Antonis Karidis

Utilizando-se de jatos de treinamento de fabricação britânica BAe Hawk Mk.65 e 65A, a equipe foi criada em junho de 1998 e sua primeira apresentação aconteceu no ano seguinte, em Riad, capital do país, por ocasião do aniversário de 100 anos da Arábia Saudita. O esquema de pintura apresenta as cores verde e branca numa referência direta à bandeira nacional e as aeronaves estão configuradas para gerar fumaça nas cores branca, verde e vermelha (as cores islâmicas). Ao todo, nove Hawks (6 Mk.65 e 3 Mk.65A) compõem a dotação da Unidade Aérea, no entanto, as demonstrações são realizadas com seis aviões. Sua base de operações é a Base Aérea King Faisal, em Tabuk, no noroeste do país e os Saudi Hawks tem uma agenda de demonstrações anual com apresentações em eventos aeronáuticos dentro e fora da Arábia Saudita.


Saudi Hawks voando sobre uma paisagem típica do país. Crédito: RSAF

Esquema de pintura dos Saudi Hawks, frequentemente comparado ao utilizado pela equipe britânica Red Arrows. Fonte: aerobatic-teams.org.uk/


Clique sobre a imagem para assistir ao vídeo. Crédito: AVMetropolis




Crédito: Alaif.be

Em 1957, sob iniciativa do Major Robert "Bobby" Bladt, surge a ideia de se criar uma esquadrilha de acrobacia na Força Aérea Belga (BAF) junto à 7ª Ala de Caças, em Chièvres. O avião escolhido para tal foi o Hawker Hunter F.6, começando com cinco aeronaves e rapidamente evoluindo para um display formado por nada menos que dezesseis exemplares em voo. Com custo elevado e o alto risco de acidentes durante as exibições, optou-se pelo retorno à quantidade inicial de cinco aviões e assim seguiu-se a rotina de apresentações. Após um breve hiato, em 1965 ocorreu a substituição do Hunter pelo jato de treinamento CM-170R Fouga Magister e também uma mudança de base, agora para Brustem. A partir de então os Red Devils ganharam fama e notoriedade por toda a Europa, até a aposentadoria do Fouga Magister em 1977, decretando o fim da equipe. A subsequente entrada em serviço do Alpha Jet como treinador padrão da Força Aérea Belga sinalizou uma continuidade das operações, mas as restrições orçamentárias, impediram a volta dos Red Devils, que só viria a acontecer após longos 34 anos de espera.

Hawker Hunter F.6 nas cores dos Red Devils. Fonte: aerobaticteams.net/

A incrível formação de dezesseis aviões. Fonte: aerobaticteams.net/

Esquema de pintura utilizado pelos Hawker Hunter F.6. Fonte: aerobaticteams.net/

Fouga Magister nas cores dos Red Devils. Crédito: BAF

Perfil lateral - CM-170R Fouga Magister (1965-1977). Fonte: http://wp.scn.ru/

Foi apenas em abril de 2011, por ocasião do aniversário de 65 anos da Força Aérea Belga, que os Red Devils voltaram à atividade, agora equipados com o treinador SIAI-Marchetti SF-260 e tendo como nova casa, a Base Aérea de Beauvechain, junto à Escola Básica de Treinamento de Voo, na qual seus integrantes atuam também como Instrutores de Voo. Quatro aviões compõem o atual display de demonstração, apresentando o clássico esquema de pintura utilizado desde o início, com a fuselagem totalmente vermelha e as cores da Bandeira Nacional estampadas na parte inferior das asas e no estabilizador vertical.


SF-260 retornando após uma exibição. Fonte: aerobaticteam.net


Clique sobre a imagem para assistir ao vídeo. Crédito: Marc Talloen





Crédito: FACH

Com o objetivo de projetar junto à população do país a imagem e as atividades da Força Aérea do Chile (FACh), é criado em janeiro de 1981, o Esquadrão de Alta Acrobacia Halcones, mais conhecido apenas como "Halcones", equipado inicialmente com biplanos acrobáticos Pitts Special S-2 e sediado na Base Aérea de El Bosque, nos arredores da capital Santigo. Com o Pitts inicia-se a tradição e a fama da Esquadrilha e de seus pilotos, conhecidos pelas apresentações com alto grau de precisão e arrojo nas manobras, o que rendeu aos Halcones ao longo de sua história, diversos convites para exibições no exterior, além de prêmios internacionais. Dentre os países visitados pelos Halcones, estão o Equador, Reino Unido, Bélgica, Estados Unidos, Canadá, Israel, França, Peru, Bolívia, Argentina, Colômbia e Uruguai, além do Brasil, onde estiveram presentes nas festividades pelo cinquentenário (2002) e pelos 60 anos (2012) da Esquadrilha da Fumaça. Atentos ao que havia de mais moderno no meio acrobático, as próximas aeronaves utilizadas ganharam forma nos aviões de fabricação alemã e extremamente manobráveis Extra EA 300, incorporados em 1990 (em substituição aos Pitts S-2) e 13 anos depois, no seu aperfeiçoamento, o Extra EA 300L, que voou com os Halcones até 2021.

Pitts S-2A. Crédito: FACh

Perfil lateral - Pitts S-2A (1981-1990). Fonte: http://wp.scn.ru/

Extra EA-300 (1990-2003). Crédito: FACh

Extra EA-300L (2003-2019). Fonte: infogate.cl/

Em 2019 foi anunciado o substituto do Extra 300L, trata-se da aeronave GameComposites Gamebird GB1 de fabricação estadunidense, da qual foram adquiridos sete exemplares. Comparado ao seu antecessor, o novo avião representa um grande salto tecnológico e operacional, sendo mais leve (feito quase inteiramente de materiais compostos, maior capacidade interna de combustível, alta manobrabilidade e painel de instrumentos full glass, permitindo que os pilotos se concentrem mais nas manobras. Ainda no mesmo ano, os aviões chegaram ao Chile e após a montagem e treinamento da equipe com  o novo modelo, esperava-se a estreia durante a edição 2020 da tradicional Feira Internacional de Aviação e Espaço (FIDAE) mas o advento da pandemia adiou os planos. Enquanto aguardam o retorno dos eventos aeronáuticos, os Halcones seguem sua rotina de treinos e familiarização com a nona máquina.


Gamebird GB1. Fonte: Twitter, avioneschile

Padrão de pintura e vistas do Gamebird GB1. Fonte: fgmedia.cl

Comparativo entre a cabine do Extra 300L e do Gamebird GB1. Fonte: fgmedia.cl



Clique sobre a imagem para assistir ao vídeo. Fonte: Meganoticias





Fonte: https://www.goodfon.com/

Considerada a mais antiga e também a principal e mais importante equipe de exibição chinesa, o 1º de Agosto leva esse nome em homenagem à fundação do Exército Popular de Libertação (PLA), criado nesta data no ano de 1927, ganhando essa designação em 1997. Por sua vez, o Esquadrão é bem mais antigo, sendo estabelecido em fevereiro de 1962, voando na época jatos Chengdu JJ-5 (versão chinesa dos MiG-17 de treinamento, de fabricação soviética), mais tarde substituídos por aviões Chengdu J-7EB (caças MiG-21F construídos sob licença). Estes mantiveram o padrão de pintura nas cores vermelha e branca. Em 2001, saem de cena os J-7EB e entram em operação os Chengdu J-7GB e com eles, um novo padrão de pintura, agora nas cores branca e azul. Nova mudança ocorreria no ano de 2009, com a incorporação do caça multifuncional de fabricação chinesa Chengdu J-10, com o qual a Esquadrilha voa até os dias atuais. Seis aviões compõem o display de exibição e ostentam uma pintura nas cores branca, azul e vermelho. Raramente vistos em apresentações fora da China, a equipe está localizada na Base Aérea de Yangcun, perto de Tianjin, sede da 24º Divisão de Caças da Força Aérea do Exército Popular de Libertação (PLAAF). Uma das únicas exibições da equipe no exterior ocorreu em 2013, em Moscou, na Rússia, durante o show aéreo MAKS 2013. Recentemente a equipe iniciou uma participação mais ativa em eventos aeronáuticos fora da China, apresentando-se em importantes shows aéreos em países do Sudeste asiático.

Chengdu JJ-5. Fonte: aerobaticteams.net/

Esquema de pintura dos Chengdu JJ-5 (1962-1980). Fonte: http://wp.scn.ru/

Chengdu J-7EB. Fonte: aerobaticteams.net/

Esquema de pintura - Chengdu J-7EB (1980-2001). Fonte: http://wp.scn.ru/

Chengdu J-7GB. Fonte: https://war-book.ru/

Esquema de pintura - Chengdu J-7GB (2001-2009). Fonte: http://wp.scn.ru/


Chengdu J-10. Crédito: PLAAF

Chengdu J-10. Crédito: PLAAF

Chengdu J-10. Fonte: aerobaticteams.net/


Clique sobre a imagem para assistir ao vídeo. Crédito: KHMedia




Fonte: air-shows.org.uk/

Criada em 2003, a Esquadrilha Wings of Storm (Krila Oluje, em croata) é a equipe oficial de exibição aérea da Força Aérea da Croácia (HRZ) e seu objetivo principal é demonstrar a habilidade, disciplina e trabalho em equipe dos membros daquela arma. Seu equipamento de voo desde o início é o treinador suíço Pilatus PC-9M, utilizado também como aeronave padrão de instrução junto à Escola de Voo da Força Aérea Croata, localizada na Base Aérea de Zemunik, sede também da equipe. Os aviões não apresentam uma pintura própria, utilizando-se da mesmo padrão dos PC-9 empregados para treinamento dos cadetes, entretanto, as seis aeronaves que realizam as demonstrações são exclusivas da equipe e a única diferenciação para o restante da frota são os números de 1 a 6, recentemente adicionados junto ao estabilizador vertical. Com relação aos pilotos, todos são Instrutores de Voo e dividem a rotina diária de treinamentos com as apresentações aéreas. Para integrar a equipe é necessário dar instrução na Escola de Voo e os escolhidos devem reunir as condições de excelente técnica de voo, possuir as predisposições psicológicas e físicas exigidas, demonstrar trabalho em equipa e ter um mínimo de 600 horas de voo. Os candidatos passam por um exigente treinamento de voo acrobático em formações que gradualmente vão aumentando de dois até seis aviões. Curiosamente não há pilotos reservas, se porventura algum deles não estiver em condições de voo, a equipe realiza um programa mais curto com cinco aviões ou cancela a apresentação.

Pilatus PC-9M. Fonte: media-exp1.licdn.com/

Esquema de pintura - Pilatus PC-9M. Fonte: http://wp.scn.ru/



Clique sobre a imagem para assistir ao vídeo. Fonte: digitalcroative



Continua....



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