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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Asas eternas: Aeronaves da FAB preservadas em Santa Catarina



Na última segunda-feira (17/5) o município de Tubarão, localizado no sul de Santa Catarina, tornou-se a mais recente cidade do Estado a receber uma aeronave utilizada pela Força Aérea Brasileira para exposição permanente. Indo muito além de apenas um mero ponto turístico, a presença destas máquinas voadoras em território catarinense simboliza o resgate e a preservação de uma parte importante da história da Força Aérea Brasileira. Sendo assim, preparamos uma matéria inédita a respeito das aeronaves da FAB preservadas em Santa Catarina. Saiba a partir de agora, quais são, onde ficam e um pouco da história de cada uma delas. Boa leitura!


Mapa de Santa Catarina com a localização das aeronaves da FAB preservadas no Estado.


North American T-6

O North American T-6 é sem dúvida um dos aviões de treinamento mais famosos e utilizados no mundo, com um grande número de exemplares produzidos. Seu projeto data da primeira metade da década de 30 e sua entrada em serviço ocorreu ainda antes do início da Segunda Guerra Mundial,  ajudando a formar toda uma geração de pilotos militares que logo em seguida iriam combater nos diversos Teatros de Operação do conflito. Embora as aviações do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil já operassem com alguns modelos precursores do T-6, foi com a criação da Força Aérea Brasileira, no início da década de 40, que a aeronave começou a ser utilizada em larga escala no país, cumprindo em seus 35 anos de serviço ativo, uma variada gama de missões, tais como Treinamento, Patrulha Anti-Submarino, Ataque e Reconhecimento, além de voar durante muito tempo como o avião de Demonstração Aérea da Esquadrilha da Fumaça. No total a FAB operou com mais de 400 exemplares do T-6 entre os anos de 1942 a 1977, nas seguintes variantes, AT-6B (10), AT-6C (71), AT-6D (276), T-6G (50) e T-6 SNJ-5C (20), com alguns exemplares das versões mais antigas sendo convertidos posteriormente para ao padrões -6D e -6G.

Em Santa Catarina existem dois North American T-6 preservados, um no município de Rio Negrinho, localizado na região Norte do Estado e outro em Brusque, cidade que integra a mesorregião do Vale do Itajaí. O avião exposto em Rio Negrinho apresenta a matrícula FAB 1287 e se ela realmente condiz com a aeronave, trata-se originalmente de um North American AT-6C convertido posteriormente para -6D. É importante salientar este fato, pois às vezes e por diversas razões, não é incomum uma aeronave preservada receber a matrícula de uma outra do mesmo tipo e modelo, cabendo a quem conta sua história, verificar a veracidade das informações pertinentes a ela. Dito isto, o que podemos afirmar com certeza sobre este avião é que o monumento foi inaugurado em outubro de 1975 e é uma homenagem ao Tenente-Aviador Oldegar Olsen Sapucaia, nascido em Rio Negrinho, em 09 de junho de 1924. O Tenente Sapucaia integrou o 1º Grupo de Caça que combateu na Itália, vindo a falecer na cidade de Tarquínia, no dia 07 de novembro de 1944, com apenas 20 anos de idade, durante uma missão de treinamento. Além de sua cidade-natal, seu nome encontra-se em ruas, praças e escolas em diversos locais do Brasil.





O FAB 1287 está localizado bem no centro da cidade, na Praça que leva o nome do Tenente Sapucaia, também conhecida como "Praça do Avião", junto à Biblioteca Pública Dr. Helládio Olsen Veiga (Março de 2011). Fotos gentilmente cedidas por Giulliano B. Frassetto.

Mais antigo cartão postal de Brusque, a história do T-6 exposto na cidade remonta a meados da década de 60, quando o então Prefeito Cyro Gevard solicitou à FAB a doação de uma aeronave para o município, fato que se concretizou alguns anos depois, já na gestão de seu sucessor, Antônio Heil. O local escolhido para abrigar o avião foi o Parque Leopoldo Moritz, também conhecido como "Parque da Caixa D'Água". Foi montada uma bela estrutura em torno da aeronave, disposta num pedestal e com uma escada de acesso, onde os visitantes podiam inclusive acessar a cabine de pilotagem. Mais recentemente havia sido instalado junto à aeronave, uma espécie de simulador de voo com imagens aéreas da cidade. Entretanto, a ação do tempo e a falta de manutenção fizeram com que o monumento apresentasse um estado de conservação lastimável, chegando inclusive a cair uma das asas do avião. Diante da situação, um grupo de entusiastas da aviação de Brusque abraçou a ideia para viabilizar um projeto de restauração. A iniciativa deu resultado e no momento o local encontra-se revitalizado e a aeronave novamente ganhou vida, sendo totalmente reformada, inclusive com nova pintura. Trata-se de um T-6D com matrícula FAB 1458, entretanto, não obtivemos maiores detalhes de sua vida operacional.

FAB 1458, em março de 2011. Foto gentilmente cedida por Giulliano B. Frassetto.




FAB 1458, em novembro de 2020.

Neiva T-25 Universal


Projetado pela Indústria Aeronáutica Neiva, o T-25 Universal substituiu o North American T-6 na formação dos futuros pilotos militares da Força Aérea Brasileira a partir de 1971. Além da Academia da Força Aérea (AFA), a aeronave também atuou em sua carreira operacional junto a outras Unidades Aéreas da FAB nas funções Ataque, Reconhecimento Armado e Ligação e Observação. Dos 150 exemplares adquiridos, cerca de 65 continuam em atividade, mas agora apenas empregados como aeronaves de Instrução Primária e Básica, todos concentrados atualmente na Academia da Força Aérea, em Pirassununga/SP.

O município de Gaspar, assim como Brusque, integra a mesorregião do Vale do Itajaí. A cidade catarinense é sede do maior Clube de Modelismo do país, chamado Asas do Vale, que anualmente organiza campeonatos e promove um grande evento nacional chamado de FESBRAER (Festival Brasileiro de Aeromodelismo), considerado o maior do gênero da América Latina, contando muitas vezes com a apresentação do Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira. Cabe ressaltar que em 2017 o blog Aviação em Floripa esteve presente na Edição nº 32 deste grande acontecimento, matéria que pode ser acessada clicando neste link. Essa proximidade e a estreita colaboração com a FAB fomentaram a alguns anos atrás, a iniciativa do Clube Asas do Vale e de alguns entusiastas da aviação em obter uma aeronave para ficar exposta junto à entrada do local. As tratativas tiveram êxito e assim, em 23 de abril de 2005, foi inaugurado o monumento com o T-25 Universal de matrícula FAB 1841 (c/n 011), um dos primeiros a entrar em operação com a FAB, datando sua fabricação de 25 de maio de 1972. A aeronave está exposta com a pintura padrão utilizada na Academia da Força Aérea e apresenta o brasão da Base Aérea de Florianópolis na cauda, logo abaixo da designação de tipo e da matrícula. Porém, até onde apuramos este avião nunca esteve a serviço da BAFL, talvez sendo apenas uma homenagem ou agradecimento pelo empenho da Organização Militar na vinda do T-25 para Gaspar.



T-25 Universal impecavelmente exposto em Gaspar, fotografado em abril de 2017.

Muita gente não sabe, mas a cidade de Tubarão, situada na região Sul de Santa Catarina já teve um aeroporto regional, diga-se de passagem, até bem movimentado, tendo inclusive recebido a visita de três Presidentes da República, durante seus anos de funcionamento. Batizado com o nome da "Heroína de Dois Mundos", a catarinense Anita Garibaldi, foi inaugurado em 21 de janeiro de 1951, chegando a operar voos regulares das Companhias Aéreas da época, incluindo a saudosa VARIG e seus famosos Douglas DC-3, ligando a cidade catarinense à Porto Alegre e à região Sudeste do país. Com o término dos voos comerciais em meados da década de 70, o Aeroporto Anita Garibaldi passou a ser utilizado apenas por aeronaves de pequeno porte e nunca mais recuperou sua movimentação e importância de outrora. Em 1990, prestes a completar 40 anos de existência, teve suas operações aéreas definitivamente encerradas. Disposta a resgatar essa história, a atual administração do Município, iniciou em 2018 um trabalho em favor da memória do Aeroporto Anita Garibaldi e, entre outras ações, obteve junto a Força Aérea Brasileira, uma aeronave T-25 Universal já fora de uso e que encontrava-se estocada no Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa/MG, ficando a cargo dessa Organização Militar, a escolha da célula e sua completa restauração e preparação para exposição.

Aeronave sendo preparada para montagem no pedestal. Crédito: Marcelo Becker/DECOM/PMT


A aeronave chegou à cidade de Tubarão na segunda-feira, dia 17 de maio e rapidamente foi montada e instalada em seu local de exposição. O monumento com o T-25 Universal está localizado exatamente onde se situava o aeroporto. A área foi totalmente revitalizada, com a instalação da Praça Memorial Aeroporto Anita Garibaldi, mas já chamada popularmente de "Praça do Avião". A aeronave encontra-se disposta num pedestal e existe a previsão futura da instalação de totens ao seu redor com fotos históricas e informações sobre o aeroporto. O avião doado apresenta a matrícula FAB 1854 (c/n 024) e, de acordo com informações obtidas junto à Diretoria de Material Bélico (DIRMAB) da FAB, o exemplar foi fabricado em 21/09/1972 e durante sua vida operacional serviu junto à Academia da Força Aérea na Instrução de Voo, sendo ainda utilizado por um breve período (16/06/1975 a 24/06/1976) como aeronave orgânica da Base Aérea de São Paulo (BASP).






Em imagens feitas e gentilmente cedidas por Giulliano B. Frassetto, pode se ver o FAB 1854 já instalado em seu local de exposição.



Embraer AT-26 Xavante


O AT-26 Xavante foi a primeira aeronave a jato construída no Brasil, fruto de uma parceria entre a brasileira Embraer e a fabricante do avião, a italiana Aermacchi. O primeiro exemplar voou pela primeira vez em 6 de setembro de 1971 e ao longo de seus mais de 40 anos de atividade com a Força Aérea Brasileira, muitas gerações de pilotos de caça da FAB aprenderam as nuances do voo a jato e a combater sobre as asas do Xavante. O AT-26 foi também muito utilizado como avião de Ataque e Reconhecimento Tático, sendo sucedido nestas funções a partir de 1989, pelo Alenia/Aermacchi/Embraer A-1. O Xavante continuou por mais alguns anos na tarefa de formar os futuros pilotos de caça da FAB, até começar a ser substituído pelo A-29B Super Tucano, a partir de 2004. Quando a linha de montagem se encerrou em 1981, um total 166 jatos Xavantes haviam sido fabricados e entregues para a FAB. No ano de 2010, a aeronave finalmente encerrou sua carreira como treinador e, em 2013 foi definitivamente retirada do serviço ativo.

Quem chega ao Aeroclube de Santa Catarina (ACSC), no município de São José, localizado na região da Grande Florianópolis é recebido por um dos mais importantes aviões de treinamento já utilizados pela Força Aérea Brasileira, sim, estamos falando do AT-26 Xavante. Prova disso é a quantidade de aeronaves deste modelo expostas pelo Brasil afora, passando atualmente de cinquenta, sendo o avião utilizado pela FAB com o maior número de exemplares preservados no país. O desejo de contar com uma aeronave exposta em suas dependências era uma aspiração antiga do Aeroclube, que começou a ser materializada em 2014, quando um grupo de entusiastas da ideia, liderado pelo Sr. Antônio Carlos Trevisol Bittencourt, conseguiu viabilizar junto à Força Aérea Brasileira, um AT-26 Xavante que encontrava-se após sua desativação, estocado no Parque de Material Aeronáutico de Recife (PAMA-RF), sendo um dos últimos exemplares deste tipo de avião ainda disponíveis para esta finalidade. A longa viagem do Xavante entre Recife e São José seguiu por via terrestre, com a preciosa carga vindo desmontada dentro de uma carreta. Aqui chegando, o avião foi montado por uma equipe do próprio Aeroclube, auxiliada por dois mecânicos aposentados da FAB, os Srs. Mauro Braga e Daniel Souza, contando ainda com o apoio da Base Aérea de Florianópolis. 

Aeronave em processo de montagem e preparação nas dependências do Aeroclube. Foto gentilmente cedida por Daniel R. Popinga.


Processo de içamento da aeronave para colocação no pedestal. Crédito: Fonte desconhecida via website Aeroentusiasta.

Finalmente, em setembro de 2017, por ocasião do aniversário de 80 anos do Aeroclube de Santa Catarina, foi inaugurado o monumento com o AT-26 Xavante doado pela Força Aérea Brasileira à instituição e ao município de São José, como forma de homenagear e marcar a expressiva data. O avião está localizado próximo à entrada do Aeroclube e de sua Sede Administrativa, instalado sobre um pedestal, apresenta a matrícula FAB 4533 (c/n 75072315) e está pintado com a camuflagem padrão utilizada à época de sua desativação, não apresentando nenhuma marcação ou insígnia de Unidade Aérea. O exemplar exposto foi fabricado em 12 de fevereiro de 1975 e entrou em serviço na FAB, um mês depois, conforme mostram os dados de sua utilização e vida operacional constantes na tabela abaixo:

Tabela com a vida operacional do FAB 4533, elaborada e gentilmente cedida pelo Cel.-Av. R1 Camazano





FAB 4533, em novembro de 2020.


Bell UH-1H Huey


O Bell UH-1 Huey é daqueles exemplos na aviação que transcendem o tempo e fizeram história, estando no mesmo patamar de verdadeiras lendas ou clássicos entre as máquinas voadoras, como os Douglas DC-3 ou o caça P-51 Mustang, entre tantos outros modelos que marcaram seu nome para sempre. Dentre os helicópteros, não há nada que supere sua fama, número de exemplares produzidos ou operadores, sendo quase um sinônimo quando se pensa em aeronaves de asas rotativas. Desenvolvido pela Bell como um helicóptero utilitário, entrou em operação a partir de 1962 e ganhou notoriedade durante a Guerra do Vietnã, executando uma grande variedade de missões, dada a sua versatilidade de emprego. No Brasil, iniciou sua vida operacional no ano de 1964, com a aquisição de 14 exemplares do modelo UH-1D (6 para missões de Busca e Salvamento, designados de SH-1D e 8 atuando na função de Reconhecimento Armado), recebendo as matrículas FAB 8530-8535 (SH-1D) e FAB 8536-8543 (UH-1D). A esta encomenda inicial, somaram-se mais 34 UH-1 da variante H, em 1972 (FAB 8650-8683). Finalmente, em 1996, para recompletar a frota e manter a proficiência operacional, foram adquiridos mais 20 helicópteros UH-1H, provenientes dos estoques na Europa do Exército dos Estados Unidos (U.S. Army), matriculados como FAB 8684-8703. O H-1H, como passou a ser designado a partir de 2006, seguiu em uso na FAB até o ano de 2018, sendo sua última Unidade operadora, o 2º Esquadrão do 10º Grupo de Aviação (2º/10º GAv), em Campo Grande/MS, que por curiosidade, também foi a primeira na FAB a receber o modelo.

O FAB 8697 veio a bordo de uma carreta da FAB. Crédito da imagem: Juliano Damásio via website Aeroentusiasta.


Nas dependências da BAFL, antes de passar pelo processo de restauração e pintura. Crédito das imagens: Giulliano B. Frassetto.


Visto aqui, em novembro de 2015 durante o Portões Abertos da BAFL, já caracterizado como SH-1D, FAB 8535.

Antes de abrigar as aeronaves P-95 Bandeirante Patrulha, a Base Aérea de Florianópolis foi o lar, entre os anos de 1972 a 1981, do 2º/10º GAv, Unidade Aérea da FAB dedicada às missões de Busca e Salvamento (SAR), na época utilizando os Grumman SA-16 Albatross e os Bell SH-1D. Como uma forma de perpetuar esta história, em 2015 a BAFL recebeu do Esquadrão Pelicano, um de seus H-1H (FAB 8697) que havia sido recentemente retirado de operação. Num belíssimo trabalho de resgate histórico, a aeronave foi totalmente restaurada e pintada com o padrão de cores empregado na época em que tinha a capital catarinense como sede, recebendo a matrícula FAB 8535, utilizada por um dos seis SH-1D originalmente adquiridos pela FAB em 1964 e operados pelo Esquadrão Pelicano desde então. No momento, o helicóptero encontra-se preservado no interior da Base Aérea, no hangar que pertenceu ao 2º/7º GAv. Por se tratar de uma área militar, com acesso restrito, a visitação à aeronave é permitida apenas uma vez por ano, quando a Base Aérea promove o evento de Portões Abertos. Nesta ocasião, a população em geral, tem a oportunidade de conhecer de perto e registrar esta fantástica e lendária aeronave.



O "FAB 8535" atualmente encontra-se abrigado no hangar que pertenceu ao 2º/7º GAv, na Base Aérea de Florianópolis (dezembro/2020).




O blog Aviação em Floripa gostaria de agradecer ao Departamento de Comunicação da Prefeitura Municipal de Tubarão, pelas informações prestadas relativas ao Memorial do Aeroporto Anita Garibaldi, ao Sr. Augusto Tavares Timm (Gerente Administrativo do Aeroclube de Santa Catarina), aos Suboficiais Seelig e Evangelista (Seção de Comunicação Social da Base Aérea de Florianópolis), ao 3S Tafarel (Base Aérea de Florianópolis), ao Capitão Maximiliano (Diretoria de Material Bélico da Aeronáutica), ao Suboficial Ailton (Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa) pelo apoio e informações prestadas, e, por fim, aos amigos Daniel Popinga, Giulliano Frassetto e Juliano Damásio, pela cessão de fotos de seus acervos pessoais. Agradecimentos especiais ao Coronel-Aviador R1 Aparecido Camazano Alamino pelo seu empenho e presteza em auxiliar nos dados referentes à vida operacional do AT-26 Xavante, além de informações sobre os T-25 Universal preservados em Gaspar e Tubarão. Sem a ajuda e o apoio das pessoas e instituições acima citadas, esta matéria não teria sido possível.





































quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Seja bem-vindo novamente, MAX!

 


A GOL retomou nesta quarta-feira (09/12) os voos com suas aeronaves Boeing 737 MAX 8, suspensos desde março do ano passado, devido a dois acidentes com aeronaves do mesmo modelo, ocorridos com outras Companhias Aéreas. Como consequência, toda a frota mundial de aviões 737 MAX ficou proibida de voar até que as investigações fossem concluídas e os problemas totalmente corrigidos. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz (FLN/SBFL) foi um dos escolhidos para esta reinauguração das operações regulares de voo do 737 MAX da GOL e o blog Aviação em Floripa não poderia deixar de registrar este momento. Sendo assim, comparecemos ao terraço panorâmico do aeroporto e compartilhamos com nossos leitores esta matéria especial. Boa leitura!


Após mais de 20 meses sem voar, eis que o Boeing 737 MAX 8 ganhou novamente os céus e coube a Companhia Aérea brasileira GOL a primazia em fazer esta reestreia do modelo em todo o mundo. Após dois graves acidentes, um na Indonésia, em outubro de 2018, e outro na Etiópia, em março do ano passado, todos os aviões deste modelo preventivamente ficaram impedidos de voar até que as causas fossem apuradas. As análises dos órgãos de investigação levaram à falhas no sistema de controle de voo da aeronave, chamado de MCAS (do inglês, Maneuvering Characteristics Augmentation System), ou Sistema de Aumento de Características de Manobra, levando determinados sensores do avião a interpretar informações erradas, conduzindo a aeronave a ângulos e condições de voo incontroláveis por parte dos pilotos. Neste período de interrupção a Boeing introduziu uma série de medidas para sanar a problema, criando uma redundância no sistema, limitando sua atuação, além de outras melhorias implementadas. 


Equipe de solo registrando o momento.

Durante o tempo em que a aeronave permaneceu "groundeada", paralelo à investigação, identificação e correção do problema, a GOL colocou em prática um extenso programa de testes em simulador e em voo, a fim de preparar suas equipes de mecânicos e tripulações para o retorno das atividades com o MAX. O trabalho nas aeronaves visando sua readequação às operações aéreas e os testes em voo foram realizados no Centro de Manutenção da Companhia, chamado de GOL Aerotech, localizado em Confins/MG, já o treinamento dos pilotos em simulador foi feito nos Estados Unidos, com 140 profissionais capacitados novamente a voar a aeronave após as mudanças promovidas pela Boeing. A liberação do MAX enfim foi dada pela Federal Aviation Administration (FAA), órgão regulador do setor aeronáutico nos Estados Unidos (país onde é sediada a Boeing), em 18 de novembro deste ano, seguida por sua congênere brasileira, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), uma semana mais tarde.



A aeronave escolhida para a reentrada em operação foi o PR-XMB (c/n 43987), o segundo Boeing 737 MAX recebido pela GOL, entregue a Companhia Aérea brasileira em 21 de agosto de 2018. O primeiro voo desta nova fase foi realizado ainda no período da manhã, ligando o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo ao Salgado Filho, em Porto Alegre. De lá a aeronave retornou para São Paulo e então partiu para a capital catarinense no início da tarde, através do voo com o prefixo G3 1316. Ao chegar no Hercílio Luz, foi recebida com o tradicional "Water Salute", saudação tradicionalmente destinada aos voos ou aeronaves que apresentam alguma circunstância especial. De acordo com a escala de voos, ela ainda deve retornar uma segunda vez a Florianópolis nesta quarta-feira, desta vez operando sob o voo G3 1322. Até o momento a GOL tem em sua frota um total de sete aeronaves 737 MAX 8, matriculadas como PR-XMA a XMG, montante este que faz parte de uma encomenda total de 120 jatos do mesmo modelo. A expectativa da empresa é que até o final deste mês de dezembro os outros seis 737 MAX estejam voando regularmente na sua malha de voos.




Ao ingressar no pátio, o PR-XMB recebeu o tradicional "Water Salute".

O modelo 737 MAX é um aprimoramento do Boeing 737NG (Next Generation), sendo considerada a quarta geração deste que é um dos maiores sucessos de venda da empresa e também um dos aviões comerciais mais fabricados e utilizados no mundo. Entre as diversas características e melhoramentos desta versão, os mais fáceis de identificar visualmente são os winglets de ponta dupla nas extremidades das asas e o novo motor CFM International LEAP-1B, responsável por uma significativa redução dos níveis de ruído da aeronave, além de prover uma economia de cerca de 15% no consumo de combustível em relação ao modelo anterior. Atualmente o avião é oferecido em quatro tipos, os 737 MAX 7, 8 (com uma sub-variante de alta densidade chamada de MAX 200), 9 e 10, esta última, a mais alongada de todas, visando competir com o A321neo da Airbus.

Detalhe do winglet na ponta da asa.



Detalhe do motor turbofan CFMI LEAP-1B.