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domingo, 15 de abril de 2012

FAEX XII: A II FAE reunida em Florianópolis



Entre os dias 9 e 20 de abril a Base Aérea de Florianópolis (BAFL) está sediando a 12ª edição da FAEX, exercício operacional que envolve as unidades subordinadas à Segunda Força Aérea (II FAE), organização da Força Aérea Brasileira (FAB) responsável pelas aviações de asas rotativas (helicópteros), busca e resgate, patrulha marítima e operações especiais. Nesta edição, o exercício conta com a participação direta de cerca de 700 militares e 30 aeronaves, entre helicópteros e aviões, vindos de norte a sul do país.

Além de Florianópolis, o exercício desenrola-se nas cidades de Jaguaruna, Imbituba, Laguna e Criciúma e também conta com voos programados para o litoral norte do estado. Para a realização do exercício foi criado um cenário fictício de conflito, abrangendo além das cidades citadas, o litoral próximo a costa catarinense. As aeronaves operam de forma conjunta, dentro do que se chama de “pacote de missão”. Dependendo do tipo de objetivo a ser cumprido, é composto um grupo de aviões e/ou helicópteros que se integram para a execução daquela missão.

Cabe ressaltar que os aviões e helicópteros são a parte mais visível da operação, mas não a única. Ao mesmo tempo que a atividade aérea na linha de voo é frenética, com a decolagem dos pacotes de aeronaves saindo para cumprir mais uma tarefa, dentro de abrigos montados nas dependências da BAFL, é travada uma verdadeira guerra de informações, a partir dos dados coletados pela complexa rede de sensores e radares instalados. É o verdadeiro centro nervoso da FAEX. Soldados da Infantaria e das Forças Especiais treinam nas proximidades em ambientes que simulam uma guerra de verdade. É importante destacar que tudo isso ocorre de forma paralela à rotina diária da Base Aérea de Florianópolis e ao trabalho da Força Aérea Brasileira de proteção do nosso espaço aéreo.

Embora não seja um exercício conjunto, cabe destacar a presença e a participação efetiva de meios do Exército Brasileiro (EB) e da Marinha do Brasil (MB), dando uma abrangência maior ao treinamento. Esta integração foi destacada pelo comandante da FAEX XII, Brigadeiro do Ar José Alberto de Mattos. Segundo ele, a operação, além do treinamento operacional das equipagens, possibilita o desenvolvimento e a validação de táticas e técnicas de emprego, servindo como um grande laboratório, onde as experiências colhidas durante o treinamento, certamente servirão de subsídio para o aperfeiçoamento das doutrinas de emprego da Força Aérea Brasileira, tanto para aqueles que estão na ponta de lança como para os responsáveis pelas tomadas de decisões. Ainda de acordo com o Brigadeiro Mattos, o ponto-chave da FAEX XII, é a oportunidade de realizar o de-briefing ao término de cada pacote de missão, reunindo todo o efetivo envolvido, onde os aspectos da missão são avaliados e discutidos, resultando em um ganho operacional muito importante para todos.

Brig. José Alberto de Mattos - Comandante da FAEX XII

A FAEX XII também está sendo importante, pela presença das aeronaves P-3AM Orion, AH-2 Sabre e H-36 Cougar. É a primeira vez que estas aeronaves, adquiridas recentemente pela FAB e que ainda estão em fase de recebimento em seus respectivos esquadrões, participam de um exercício conjunto com outras unidades.

O P-3AM Orion, fabricado pela empresa estadounidense Lockheed é um quadrimotor dedicado às missões de patrulha e esclarecimento marítimo, estando em serviço atualmente com 18 países. A FAB adquiriu 12 unidades, que passaram por um extenso programa de modernização na Espanha. Desde 1976, quando os P-2 Neptune foram retirados de serviço, a FAB não possuía uma aeronave com as mesmas características para cumprir a missão de patrulhamento marítimo de longo alcance e guerra anti-submarino. Embora o P-95 Bandeirante Patrulha cumpra esta missão desde então, a aeronave tem limitações de autonomia e de sensores dedicados a missão. O P-3AM vem prrencher esta lacuna. São operados pelo 1º Esquadrão do 7º Grupo de Aviação com sede na Base Aérea de Salvador (BA).








O Mil Mi-35 é a versão de exportação do famoso helicóptero de ataque russo Mi-24 Hind, com mais de duas mil unidades já produzidas e operado por cerca de 60 países. A FAB comprou da Rússia 12 helicópteros, novos de fábrica. O modelo brasileiro, tem como armamento padrão um canhão móvel de cano duplo NPPU23 de 23mm, posicionado sob o "queixo" da aeronave. Pode transportar também sobre as “asas”, foguetes não guiados de 80mm e mísseis anti-tanque Ataka de 130 mm, também de fabricação russa. Além disso, apresenta a capacidade de utilização de óculos de visão noturna pelos pilotos, a presença de sensores ativos e passivos como um radar e câmera de infravermelho, além de blindagem capaz de agüentar projéteis de 20 mm. O que mais chama a atenção quando se olha o Mi-35 de perto é a sensação de poder e de força que a aeronave transmite. É uma máquina talhada para o combate. O AH-2 Sabre é operado pelo 2º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação com sede na Base Aérea de Porto Velho (RO).







O Eurocopter EC-725 Caracal é o topo do desenvolvimento de uma família de helicópteros que teve início com o Aerospatiale SA-330 Puma, passando posteriormente pelo Super Puma (AS-332). Curiosamente a Força Aérea Brasileira operou com o Puma e ainda utiliza o Super Puma. O H-36 como é denominado na FAB, é um helicóptero biturbina e multimissão, fabricado no Brasil pela Helibras, sob licença do consórcio europeu Eurocopter. O H-36 encontra-se atualmente em serviço com o 1º Esquadrão do 8º Grupo de Aviação, sediado em Belém (PA) e, por enquanto a Unidade Aérea ainda opera de forma conjunta com o Bell UH-1, até a finalização do processo de recebimento dos novos vetores.







Além das aeronaves citadas acima, encontram-se também presentes em Florianópolis, os helicópteros Sikorsky UH-60 Blackhawk dos Esquadrões Pantera e Harpia, sediados em Santa Maria (RS) e Manaus (AM), respectivamente, Bell UH-1 do Esquadrão Pelicano de Campo Grande (MS) e do Esquadrão Falcão de Belém (PA), H-34 Super Puma do Esquadrão Puma, com sede nos Afonsos (RJ). Quanto às aeronaves de asa fixa, participam da FAEX, o P-95 Bandeirante Patrulha do Esquadrão Phoenix, anfitrião da operação, sediado em Florianópolis (SC) e do Esquadrão Netuno, com sede em Belém (PA), e C-105 Amazonas do Esquadrão Pelicano, sediado em Campo Grande. O exercício conta ainda com a participação de aeronaves A-29 Super Tucano do Esquadrão Flecha, sediado em Campo Grande (MS) e E-99 do Esquadrão Guardião, com sede em Anápolis (GO), ambas as Unidades subordinadas à Terceira Força Aérea (III FAE).

Finalizando a matéria sobre a FAEX XII, achamos importante destacar a finalidade e o objetivo destes exercícios militares. Além do inequívoco treinamento para as tripulações e do ganho operacional para a Força Aérea Brasileira como um todo, existe um outro viés que nem sempre é notado e que é tão ou mais importante que o próprio treinamento, é a capacidade das forças armadas estarem prontas para atender e defender a população brasileira em qualquer situação, zelando pela nossa soberania. Só o constante treinamento e estado de alerta propiciam isso. Nas palavras do Brig. Mattos: “Na medida em que são treinados procedimentos focados na defesa do país, também o são aqueles com vistas ao apoio da população em eventos de calamidades, preservação ambiental, controle de nosso intenso tráfego mercante, de policiamento do nosso espaço aéreo e de busca e resgate”.


Gostaríamos de agradecer em especial a algumas pessoas que possibilitaram a realização desta matéria. Ao Brigadeiro do Ar Mattos, por dispor de seu precioso tempo em nos atender e passar informações gerais sobre o funcionamento do exercício, à Ten. Gabriela, sempre disposta e paciente em atender as nossas solicitações e aos Ten. Campos, SO Cláudio da II FAE e Sgt. Seelig do 2º/7º GAv, pelo acompanhamento e acessoria durante a realização das fotos. A todos o nosso muito obrigado.

Texto de Marcelo Lobo da Silva (editor do blog)
Fontes utilizadas na matéria: SCS da BAFL / Agência Força Aérea































2 comentários:

Unknown disse...

Fantástico meu velho... bela matéria!!!!!

Vou a caça agora atrás dos decais do SU-35 e ver se acho um P-3, ou até um Electra para adaptar! hehehe

Mais uma vez parabéns.

Marcos Brati.

Adriano disse...

Muito legal seu blog! Achei ele por meio de uma pesquisa dos AH-2 Sabre que estiveram hoje em Londrina e gostei muito do que vi.

Se possível queria propor uma parceria.

Att,

Adriano.
TMA Londrina (Aerolondrina.blogspot.com)

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