Esta matéria é uma atualização do conteúdo publicado em janeiro pelo site Aviação em Floripa, a respeito da implantação da APP Sul na Base Aérea de Florianópolis, um sistema que promete otimizar o controle do tráfego aéreo em toda a região Sul do Brasil. Na manhã da última sexta-feira (14/3), a Base Aérea de Florianópolis passou a ser subordinada ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), em substituição ao Comando de Preparo (COMPREP), Organização Militar a qual estava ligada desde fevereiro de 2022 O ato de transferência foi marcado por uma cerimônia reservada e sem a presença de público externo. A partir de agora, começam efetivamente, as obras que visam a adaptação do local escolhido para receber os equipamentos e toda a logística necessária para a implementação do projeto e a operação desta estrutura, que promete representar um avanço significativo na padronização e na segurança operacional.
A cerimônia militar, realizada na BAFL, contou com a presença do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, Oficiais-Generais do Alto-Comando da Aeronáutica e de outras Organizações Militares da FAB, além de militares da Guarnição de Aeronáutica de Florianópolis (GUARNAE-FL).
O evento contou com a presença do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Aviador Marcelo Kanitz Damasceno (à diretita). Ao seu lado, o Comandante da Base Aérea de Florianópolis, Coronel Aviador João Paulo Gomez Lima da Silva. Foto: Sgt Miguel/BAFL
Com a incorporação da Base Aérea de Florianópolis ao DECEA, o próximo passo será a concentração dos Centros de Controles de Aproximações (APP) Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre nas dependências da BAFL, visando aprimorar a segurança da navegação aérea, a eficiência operacional e a integração tecnológica. A expectativa é que a mudança permita um gerenciamento mais eficiente de mais de 200 mil tráfegos aéreos por ano. Nas palavras do Diretor-Geral do DECEA, Tenente-Brigadeiro do Ar Maurício Augusto Silveira de Medeiros: “Essa transição promove a otimização dos recursos operacionais, patrimoniais e humanos, melhorando a coordenação e comunicação entre as equipes, reduzindo riscos e aumentando os índices de segurança, prioridade máxima do DECEA”.
Foto: SO Balderramas/BAFL
Foto: Sgt Miguel/BAFL
Quando se fala em monitoramento do espaço aéreo, para a grande maioria das pessoas, a primeira imagem que vem á cabeça, remete à Torre de Controle de um Aeroporto. Entretanto, o sistema que coordena e controla todas as atividades aéreas e aeronaves, tanto no solo como nos céus, sejam elas tripuladas ou não, é muito mais complexo e envolve uma extensa rede interligada, composta por um grande número de organizações e profissionais, dedicados diuturnamente, todos os dias do ano, em zelar pela segurança do voo, com o objetivo de que todos cheguem aos seus destinos. Uma destas estruturas, atende pelo nome de Controle de Aproximação, conhecido pela sigla APP (do inglês Approach Control). Ele é responsável pelo controle dos tráfegos aéreos e fornecer informações durante a chamada fase intermediária do voo, que acontece logo após a decolagem e vai até os momentos que antecedem o pouso de uma aeronave. Também monitora os tráfegos aéreos que estão de passagem sobre a sua área de atuação, cruzando o espaço aéreo. Cabe ao Controle de Aproximação, proporcionar a adequada separação entre as aeronaves, disciplinar, acelerar e manter ordenado o fluxo de tráfego aéreo, além de orientar e instruir as aeronaves na execução dos procedimentos de espera, saída e chegada aos aeródromos em sua jurisdição. Os principais aeroportos brasileiros, incluindo aqueles localizados em todas as capitais das Unidades da Federação brasileiras, possuem seu próprio APP, totalizando 41 estruturas deste tipo espalhadas pelo país.
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As áreas sob a responsabilidade de um APP compreendem a fase intermediária do voo, iniciada logo após a decolagem e finalizada momentos antes do pouso de uma aeronave. Essa importante etapa do voo é composta por dois espaços aéreos bem definidos, chamados de CTR (Control Zone, ou Zona de Controle) e TMA (Terminal Control Area, ou Área de Controle Terminal). Infográfico: Aline Prete/DECEA/Divulgação
Vista do interior de uma sala de controle de tráfego aéreo em um APP. Foto: DECEA/Divulgação
No Brasil, o organismo responsável pelo controle do espaço aéreo, por prover serviços de navegação aérea que viabilizam os voos e a ordenação dos fluxos de tráfego aéreo é o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), um dos braços da Força Aérea Brasileira e que tem sua sede na cidade do Rio de Janeiro. Em resposta ao aumento do volume de tráfegos aéreos, à maior diversidade de meios aéreos e aos recentes desenvolvimentos tecnológicos no campo da aviação, o DECEA instituiu o Programa SIRIUS, composto por uma série de empreendimentos com o objetivo de tornar o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), muito mais eficiente e seguro sobre os 22 milhões de quilômetros quadrados que abrangem a área sob responsabilidade e jurisdição da Força Aérea Brasileira, incluindo todo o território nacional e boa parte das águas do Atlântico Sul.
Estrutura atual do Sistema de Controle do Espaco Aéreo Brasileiro (SISCEAB). Fonte: DECEA/Divulgação
Um dos empreendimentos do Programa SIRIUS é composto pela aglutinação dos Órgãos de Controle de Aproximação. Nesse sentido, a Região Sul do Brasil passará a receber um serviço centralizado de coordenação e monitoramento dos tráfegos aéreos sobre os três Estados, unificando a partir da capital catarinense, as operações dos APPs de Curitiba (APP-CT), Porto Alegre (APP-PA) e da própria Florianópolis (APP-FL), reunidos na APP Sul, que deve começar a funcionar integralmente a partir do próximo ano. Até lá, o atual sistema continua em pleno funcionamento e fornecendo o suporte necessário às operações aéreas. Uma outra consequência da implementação da APP Sul, será a desativação do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Florianópolis (DTCEA-FL), com suas funções sendo absorvidas e integradas à nova estrutura, que ficará sediada nas dependências da Base Aérea de Florianópolis.
Local escolhido para abrigar a APP Sul, em Florianópolis. Fonte da imagem: Google Earth
O local que irá abrigar a estrutura da APP Sul, são os centenários hangares existentes na Base Aérea de Florianópolis, construídos na década de 1920, quando o local pertencia à Marinha do Brasil, que ali operava o Centro de Aviação Naval de Florianópolis. Fotos: Marcelo Lobo da Silva (arquivo pessoal).
A escolha de Florianópolis para sediar a APP Sul se deve à localização geográfica, em posição centralizada, cobrindo de forma mais efetiva todos os pontos da Região Sul. Florianópolis passa a ser a primeira Base Aérea em plena atividade da FAB a ser subordinada operacionalmente ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Recentemente a área outrora ocupada pela extinta Base Aérea de Recife também passou para o controle do DECEA, incorporada ao Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III). Segundo apuramos, a mudança do COMPREP para o DECEA não afetará o cotidiano de atividades da Organização Militar nem o papel exercido pela Base Aérea de Florianópolis dentro do Comando da Aeronáutica, continuando sua função primária em contribuir para a manutenção da soberania do espaço aéreo, ajudando na integração do território nacional, com vistas à defesa da Pátria. Dessa forma, a BAFL deverá seguir recebendo durante o ano, Exercícios Operacionais e as qualificações anuais das diversas Unidades Aéreas que compõem as Aviações da FAB, principalmente aquelas ligadas à missão de Busca e Salvamento (SAR). Quanto ao efetivo, certamente haverá um acréscimo de pessoal, em virtude da chegada dos profissionais que irão atuar diretamente na operação da APP Sul.
Nascida no calor dos combates da Segunda Guerra Mundial, a Base Aérea de Florianópolis (BAFL) é tão antiga quanto à própria Força Aérea Brasileira (FAB), criada em janeiro de 1941, oriunda da fusão entre os componentes aéreos do Exército e da Marinha. Naquele tempo, a aviação já se fazia presente na capital catarinense desde maio de 1923, quando a Marinha do Brasil, expandindo suas asas aos quatros cantos do país, implantou aqui um de seus Centros de Aviação Naval. Ativada oficialmente em 22 de maio de 1941, ao longo do tempo, a Organização Militar recebeu diversas denominações: Base Aérea de Florianópolis (1941-1942), 14º Corpo de Base Aérea de Florianópolis (1942-1944), Base Aérea de 2ª Classe de Florianópolis (1944-1947), Destacamento de Base Aérea de Florianópolis (1947-1970) e novamente Base Aérea de Florianópolis, designação que se mantém até os dias atuais.
A história da BAFL é marcada por mudanças estruturais que contribuíram para sua evolução. Em 1941, com a criação do Ministério da Aeronáutica, como visto, a unidade passou da Marinha do Brasil (MB) para a Força Aérea Brasileira. Em 2017, sua subordinação foi transferida do Comando-Geral do Ar (COMGAR) para a Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), retornando ao COMPREP em fevereiro de 2022. Em seu discurso, o atual Comandante da Base Aérea de Florianópolis, Coronel Aviador João Paulo Gomez Lima da Silva, destacou que: “Ao longo de todas essas mudanças, permanecemos firmes graças a um efetivo dedicado e obstinado. Agora, sob a estrutura do DECEA, a BAFL se alinha ainda mais ao trinômio de Defender, Controlar e Integrar. Seguiremos apoiando as unidades da FAB que operam aqui, garantindo a soberania do nosso espaço aéreo e a defesa da Pátria”. A partir de 14 de março de 2025, um novo capítulo começou a ser escrito na história da Base Aérea de Florianópolis.
Texto: Aviação em Floripa, com informações complementares da Força Aérea Brasileira.