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sexta-feira, 6 de maio de 2022

EXOP Carranca: Treinando para salvar vidas!



Entre os dias 17 abril e 7 de maio, a Base Aérea de Florianópolis (BAFL) está sediando o Exercício Operacional (EXOP) Carranca, focado no planejamento e na realização de missões de Busca e Salvamento (SAR, sigla reconhecida internacionalmente e que vem do inglês, Search And Rescue). O treinamento envolve a participação de várias Organizações da Força Aérea Brasileira (FAB) ligadas ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e ao Comando de Preparo (COMPREP), com o emprego de uma estrutura especialmente montada para a operação e a utilização de diversos meios aéreos da FAB. O Serviço de Busca e Salvamento da Marinha do Brasil (SALVAMAR) também integra a operação na capital catarinense, que reúne cerca de 350 militares. O nome do exercício é uma homenagem ao Major Médico Carlos Alberto Santos, conhecido entre seus pares pela alcunha de “Carranca”, militar que serviu no Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAv) e no Esquadrão de Salvamento Aeroterrestre (PARA-SAR) em Campo Grande/MS, cuja vida foi marcada pela dedicação e obstinação em salvar vidas.

Imagem oficial do Exercício. Fonte: DECEA

O Brasil é reconhecido internacionalmente por possuir um dos melhores e mais eficientes sistemas de Busca e Salvamento do mundo. Em inúmeras oportunidades esta estrutura já foi colocada à prova, como por exemplo, em catástrofes naturais e em acidentes aéreos, como nos casos dos voos 1907 da GOL (2006) e AF447 da Air France (2009), demonstrando toda a capacidade da Força Aérea Brasileira para planejar, buscar e resgatar. Embora somente as ocorrências de maior vulto ganhem as manchetes, é importante ressaltar que todos os anos milhares de situações exigem algum tipo de intervenção dos órgãos de Busca e Salvamento. Nesse aspecto, manter o conjunto funcionando de maneira coordenada e eficiente é fundamental e o treinamento aqui em Florianópolis serve justamente para isso, ou seja, aperfeiçoar as técnicas de Busca e Salvamento utilizadas em resgates, através do trabalho conjunto entre os Centros de Coordenação de Salvamento Aeronáutico (ARCCs) e as Unidades Aéreas.  Além disso, representa uma excelente oportunidade para a troca de experiências, funcionando também como um laboratório, permitindo a introdução de novos equipamentos, a validação de técnicas de resgate e a avaliação da capacidade e da operacionalidade de toda a cadeia de comando quanto ao planejamento e execução de missões de Busca e Salvamento.

A Força Aérea Brasileira é responsável por planejar e executar missões de Busca e Salvamento nesta imensa área formada pelo território brasileiro (em verde), Zona Econômica Exclusiva (amarelo) e por acordos internacionais, em uma vasta porção do Atlântico Sul (em azul). Fonte: FAB

O Brasil é signatário de diversos acordos internacionais e como membro da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), nosso país é responsável por efetuar missões SAR em uma superfície de aproximadamente 22 milhões de quilômetros quadrados, englobando além do território nacional, boa parte das águas do Atlântico Sul, área esta equivalente a mais de duas vezes o tamanho de todo o continente europeu. Esta tarefa inclui a localização de ocupantes de aeronaves e embarcações em perigo, o resgate de tripulantes e vítimas de acidentes aeronáuticos e marítimos, bem como a interceptação e a escolta de aeronaves em emergência. De forma a cumprir estas funções foi criado o Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (SISSAR), formado por cinco Centros de Coordenação e Salvamento Aeronáutico (ARCC), também chamados de SALVAEROS (Amazônico, Atlântico, Brasília, Curitiba e Recife), responsáveis por executarem as atividades de Busca e Salvamento em suas respectivas áreas de jurisdição. Sob o lema “Localizar, Socorrer, Resgatar”, o Sistema de Busca e Salvamento brasileiro, funciona de maneira integrada e interligada, como os elos de uma corrente, atuando de forma ininterrupta, diuturnamente, durante os 365 dias do ano. 

P-95BM Bandeirante Patrulha do Esquadrão Phoenix decolando para mais uma missão.





Homens e mulheres de resgate da FAB.


Equipamentos utilizados nas missões de resgate.

O braço operacional de toda esta cadeia são as Unidades Aéreas e no âmbito da FAB, o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAv) e o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS/PARA-SAR), ambos sediados em Campo Grande/MS, constituem o componente especializado para as missões de Busca e Salvamento. O Esquadrão Pelicano, como é conhecido, atualmente emprega aviões SC-105 Amazonas SAR, possuindo diversos sensores e equipamentos que o capacitam a cumprir com eficiência a busca em qualquer condição meteorológica, de dia ou de noite. Já nas missões de resgate, atuam os versáteis helicópteros H-60L Blackhawk. Cabe ressaltar que além do 2º/10º GAv, outras Unidades Aéreas da FAB espalhadas pelo Brasil tem a missão SAR entre suas atribuições e podem atuar de forma isolada ou conjunta, dependendo do tipo de situação em que se fizerem necessárias. Entre elas estão os três Esquadrões do Sétimo Grupo de Aviação, os quatro pertencentes ao Oitavo Grupo, entre outras, conforme mostra o quadro abaixo.

* Com a desativação recente dos helicópteros AH-2 Sabre, o Esquadrão Poti está temporariamente sem aeronaves.

A escolha da capital catarinense para sediar o EXOP Carranca não é por acaso, uma vez que Florianópolis e a região próxima reúnem condições ideais para o treinamento, a começar pela própria geografia, composta por uma diversidade de ambientes naturais como montanhas, baías abrigadas e com águas calmas, matas fechadas e áreas descampadas. Outro quesito de fundamental importância é o apoio logístico e de infraestrutura fornecido pela Base Aérea de Florianópolis, tanto para a manutenção e segurança das aeronaves, quanto para seus operadores, com espaços adequados para o planejamento das missões, alimentação e descanso. Ressalta-se ainda a localização privilegiada da própria BAFL, permitindo que boa parte das áreas de treinamento estejam situadas a poucos minutos de voo, resultando em substancial economia de tempo e combustível. Por último, mas não menos importante, é a possibilidade de treinar num espaço aéreo com baixo volume de tráfego de aeronaves comerciais e civis. Embora a Base Aérea de Florianópolis utilize as pistas de pousos e decolagens do Aeroporto Internacional Hercílio Luz (FLN/SBFL), a movimentação de aeronaves é pequena se compararmos com outros aeroportos do país, garantindo mais segurança para as operações e minimizando os conflitos de tráfego. Ressalta-se o apoio prestado pelo Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Florianópolis (DTCEA-FL), órgão responsável por controlar e coordenar toda a movimentação aérea em torno do aeroporto.

Durante o EXOP Carranca, o SC-105 Amazonas SAR está sendo empregado em missões de busca marítima (1) e terrestre (2), tanto diurnas como noturnas e em surtidas na área da baía sul com diversos circuitos para o lançamento de botes e fardos contendo kits de sobrevivência (3). Fonte: elaboração própria através de compilação de imagens obtidas junto ao Flight Radar 24.



As missões realizadas pelo P-3AM Orion em Florianópolis foram essencialmente marítimas, aproveitando a sua grande autonomia e sensores embarcados.

C-130 Hércules executando Padrão de Busca do tipo "Pente" (Creeping Line Search), um dos vários tipos de busca utilizados pelas equipes SAR no mar ou em terra para auxiliar a encontrar uma aeronave, embarcação ou mesmo uma pessoa que esteja desaparecida. Fonte: Imagem capturada a partir do site Flightradar24.com

Padrão de Busca "Pente" sobre área terrestre. Fonte: Imagem capturada do site Flightradar24.com.

C-130M Hércules realizando circuitos a baixa altura sobre a baía sul para o lançamento de botes e fardos com kits de sobrevivência. Fonte: imagem capturada do site Flightradar24.com.

Desde 2016 a Base Aérea de Florianópolis não abrigava uma operação de grande porte da FAB, envolvendo a participação de diversas Unidades Aéreas. A última delas havia sido justamente uma edição deste já tradicional treinamento de Busca e Salvamento, que chega a sua sexta edição, agora acrescido da sigla EXOP (Exercício Operacional), forma como a Força Aérea Brasileira passou recentemente a batizar seus grandes treinamentos. Sem sombra de dúvida, em qualquer operação aérea a parte visível e as estrelas são as aeronaves. Neste aspecto, estão presentes nos céus da capital catarinense, aviões e helicópteros pertencentes a cinco Esquadrões, Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAv, Esquadrão Pelicano), Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAv, Esquadrão Orungan), Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7º GAv, Esquadrão Phoenix), Terceiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (3º/7º GAv, Esquadrão Netuno) e Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte (1º/1º GT, Esquadrão Gordo). O quadro abaixo apresenta mais informações sobre estas Unidades Aéreas e as aeronaves diretamente envolvidas nas atividades.



P-95B Bandeirante Patrulha, FAB 7105 (3º/7º GAv, Esquadrão Netuno)

P-95BM Bandeirante Patrulha, FAB 7103 (2º/7º GAv, Esquadrão Phoenix)


P-95B Bandeirante Patrulha, FAB 7108 (2º/7º GAv, Esquadrão Phoenix)


P-3AM Orion, FAB 7202 (1º/7º GAv, Esquadrão Orungan)







SC-105 Amazonas SAR, FAB 6552 (2º/10º GAv, Esquadrão Pelicano)


SC-105 Amazonas SAR, FAB 6550 (2º/10º GAv, Esquadrão Pelicano).


H-60L Blackhawk, FAB 8902 (2º/10º GAv, Esquadrão Pelicano).


C-130M Hércules, FAB 2477 (1º/1º GT, Esquadrão Gordo).

O EXOP Carranca ocorre sob a coordenação e responsabilidade direta do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e do Comando de Preparo (COMPREP). Além das Unidades Aéreas, participam do exercício, integrantes dos cinco Centros de Coordenação de Busca e Salvamento Aeronáutico (SALVAEROS), militares da Divisão de Busca e Salvamento do DECEA (DSAR), da Marinha do Brasil (SALVAMAR), da Base Aérea de Canoas (BACO), que compõe a Direção do Exercício (DIREX), além do efetivo da Base Aérea de Florianópolis, que dá suporte e apoio à execução do adestramento. Para a realização das atividades, toda uma estrutura foi idealizada para se tirar o máximo de proveito durante o período de treinamento, envolvendo o planejamento, a montagem dos cenários e situações para testar e avaliar as equipes SAR em campo, de acordo com a doutrina de Busca e Salvamento vigente. A partir deste ponto teve início a parte prática do exercício, através da simulação de várias situações e ocorrências dos mais diversos tipos como salvamento de embarcação em alto-mar e de vítimas de acidentes aéreos em área de difícil acesso, localização e resgate de náufragos, entre outras, realizadas tanto de dia quanto à noite, neste caso com a utilização de Óculos de Visão Noturna (NVG) pelos pilotos e equipes de resgate. Os voos acontecem tanto no continente quanto no mar, em áreas restritas especialmente destinadas para esta finalidade. Para gerenciar esta diversidade de eventos, dois Subcentros de Coordenação de Salvamento foram ativados provisoriamente na BAFL, um para as missões no mar e o outro para as missões em terra. O grau de complexidade das demandas aumenta a cada dia, exigindo cada vez mais das tripulações e equipes de coordenação. Embora tudo seja feito de forma simulada, o realismo das situações faz com que todos os participantes se dediquem ao máximo para cumpri-las. Isso fica evidente, nas palavras do Diretor do Exercício, Coronel Aviador Marcelo Zampier Bussmann: “Durante o treinamento, vários cenários são abordados de maneira que se aproximem ao máximo de situações reais e com maior probabilidade de ocorrerem, fazendo com que o preparo dos participantes atinja um elevado nível de operacionalidade, sendo possível empregá-los quando necessário em missões de Busca e Salvamento em todo o território nacional”. Tudo é registrado, coordenado e avaliado pela Direção do Exercício (DIREX).

Coronel Aviador Bussmann, Diretor do Exercício.

Na manhã desta sexta-feira (06/05). a organização do exercício recebeu na Base Aérea de Florianópolis os veículos de imprensa interessados em conhecer de perto as instalações, as atividades que estão sendo conduzidas e as aeronaves envolvidas na operação. Denominado de Media Day, o ponto alto da visita foi a oportunidade em efetuar um voo a bordo de um CASA SC-105 Amazonas SAR ou de um helicóptero H-60L Blackhawk, permitindo presenciar uma missão de busca e resgate e registrar todos os detalhes de como a FAB atua em situações desta natureza (experiência que em breve estaremos trazendo aos nossos leitores em outra matéria). Cabe ressaltar que iniciativas deste tipo, recebendo os profissionais de imprensa e produtores de conteúdo, são extremamente relevantes e de grande importância, pois possibilitam um contato mais próximo com a Força Aérea Brasileira, além de dar a chance de divulgar à população as suas atividades e o trabalho desenvolvido por seus integrantes.

Tenente-Brigadeiro do Ar Fiorentini, Comandante do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), concedendo entrevista para emissora local.

Gostaríamos de agradecer à Direção do Exercício (DIREX), ao Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e ao Comando de Preparo (COMPREP), pela autorização e oportunidade em poder acompanhar de perto este importante treinamento da Força Aérea Brasileira. Agradecimentos também ao Comandante da Base Aérea de Florianópolis, Tenente-Coronel Aviador Valle e aos profissionais de sua Seção de Comunicação Social, principalmente ao Suboficial Evangelista, pelo empenho e esforço para a realização deste Media Day. Sem a participação direta das Organizações e das pessoas acima citadas, essa matéria não teria sido possível.














1 comentários:

Angelo disse...

Excelente matéria. Excelentes fotos!

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