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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Visitando uma lenda




"Estrela das Américas no céu azul, iluminando de Norte a Sul...". Com a primeira frase de um dos jingles de Natal mais famosos e inesquecíveis de todos os tempos, começamos esta matéria especial sobre uma belíssima iniciativa de resgate de parte da história da aviação brasileira. Estamos falando do Projeto VARIG Experience, através do restauro e exposição na cidade de Porto Alegre/RS, de um bimotor Douglas DC-3, um verdadeiro ícone da era de ouro da aviação mundial, preservado nos mínimos detalhes com as cores da saudosa Viação Aérea Rio-Grandense ou simplesmente VARIG. Aproveitando nossa passagem pela capital gaúcha, fomos conhecer o Boulevard Laçador, onde a aeronave está exposta e, como resultado da visita, elaboramos a presente matéria que passamos a compartilhar com nossos leitores a partir de agora. Peguem seus cartões de embarque e sejam bem-vindos a bordo!


Um pouco de história


Fundada em 27 de maio de 1927 na cidade de Porto Alegre/RS pelo empresário teuto-brasileiro Otto Ernst Meyer, um ex-oficial da Força Aérea daquele país, a Viação Aérea Rio-Grandense foi a primeira companhia aérea brasileira. Iniciou suas operações com um hidroavião Dornier Do J, batizado com o nome de "Atlântico", voando entre as cidades de Porto Alegre e Rio Grande. Ao longo das décadas seguintes a empresa cresceu, expandiu suas rotas e consolidou seu nome e sua marca, tornando-se uma das maiores e mais conhecidas empresas aéreas do mundo, voando para diversos destinos na América do Norte, Europa, África e Ásia.



Durante quase oito décadas, o Ícaro Alado e a Estrela estampada na cauda se constituíram na marca registrada da VARIG, voando pelos céus do mundo.

Entretanto, a virada do novo milênio marcou o início do fim daquela que outrora foi a responsável por levar a bandeira brasileira estampada na fuselagem de seus aviões aos quatro cantos do planeta. Já enfrentando dificuldades, amargando prejuízos, dívidas crescentes e balanços negativos há alguns anos, o cenário mundial de incertezas e de crise financeira, além do surgimento de novas companhias aéreas nacionais com conceitos de operação e marketing mais agressivos e afinados com a atual realidade econômica, decretaram o fim das atividades da "Pioneira". Prestes a completar 80 anos de história, a VARIG após uma série de tentativas de recuperação judicial e manobras para continuar operando, teve seu espólio adquirido pela GOL Linhas Aéreas Inteligentes, em 9 de abril de 2007.

Frente a frente, passado e presente da Aviação Comercial brasileira.


Um ícone chamado DC-3


Na história da aviação, algumas aeronaves, seja pelo emprego em guerras, por serviços prestados ou pela longevidade de operação, ganharam o status de lenda. Sem dúvida, uma delas é o Douglas DC-3. Tendo feito seu voo inaugural em 17 de Dezembro de 1935, o DC-3 nasceu da necessidade das companhias aéreas estadunidenses em operar um avião que pudesse transportar de forma mais rápida seus passageiros de costa a costa do país, tornando-se rapidamente um grande sucesso comercial mundo afora. Com o início da Segunda Guerra Mundial e já tendo comprovada a sua eficiência como aeronave de transporte, o DC-3 ganhou uma versão militar, denominada de C-47, sendo empregada em todos os Teatros de Operações e transformando-se num verdadeiro burro de carga das Forças Aéreas Aliadas, executando uma ampla gama de missões como por exemplo, no Transporte de Tropas e Cargas e no Lançamento de Paraquedistas.




Detalhe dos motores radiais Pratt & Whitney Twin Wasp.


 Detalhe do trem de pouso.

Com o término do conflito, um grande número de células remanescentes foi convertida para a utilização na Aviação Comercial, então em franca expansão. Quando a linha de montagem do avião encerrou-se em 1942, mais de 16.000 exemplares do modelo, em todas as suas variantes, haviam sido construídas, incluindo aí os fabricados sob licença na antiga União Soviética (designados como Lisunov Li-2) e no Japão (denominados de L2D Type 0). Dada a excelência do projeto, à confiabilidade e robustez da aeronave, até os dias de hoje muitos exemplares continuam em operação, sendo empregados em shows aéreos, voos panorâmicos, lançamento de paraquedistas e muito mais, comprovando a célebre frase que "O único substituto de um DC-3, é outro DC-3".





Seguindo o exemplo de suas congêneres internacionais, após o término da Segunda Guerra Mundial, a VARIG adquiriu um grande número de aviões DC-3. Em 27 de agosto de 1946, foi inaugurada a linha ligando Porto Alegre a São Paulo e Rio de Janeiro. Com o passar do tempo, os Douglas DC-3 (carinhosamente chamados pelos pilotos de Douglinhas), passaram a voar outras rotas domésticas e também na rota internacional entre Porto Alegre a Montevidéu e Buenos Aires. Após a compra da Real Aerovias Nacionais, em 1961, a frota de DC-3 mais que dobrou, indo de 23 para 49 aeronaves em serviço. Durante toda a década de 50 e 60, os DC-3, juntamente com os Curtiss C-46, foram as principais aeronaves da VARIG para voos de curta distância. A partir dos anos 70, com a entrada em serviço de novas aeronaves, o emprego dos DC-3 ficou restrito apenas aos voos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, encerrando completamente suas atividades em 1971. Durante 25 anos essas aeronaves prestaram inestimáveis serviços à companhia aérea, tanto no transporte de passageiros quanto no de cargas.

Nota Editorial: Parágrafo adaptado a partir da matéria Douglas DC-3 (C-47): 1946-1971, publicada no endereço eletrônico: http://www.varig-airlines.com/pt/dc3.htm


Preservando um mito


Com o objetivo de preservar a própria história e transmitir às novas gerações o legado da primeira companhia aérea nacional, foi criado em 2015 por ex-funcionários da empresa, o Instituto Museu VARIG. Entre as primeiras iniciativas, estava a completa restauração do Douglas DC-3 com a matrícula PP-ANU (c/n 1545), um dos primeiros DC-3 fabricados no mundo e que antes de pertencer à empresa, havia voado com as cores da American Airlines. Antes de ser recuperada, a aeronave encontrava-se em completo estado de abandono junto ao Museu da VARIG, em Porto Alegre/RS, que funcionou até 2005.


Vídeo Oficial do DC-3 PP-ANU. Fonte: Varig Experience


Aperte o play e ouça na íntegra o clássico jingle de Natal da Varig, composto em 1960 pelo compositor paulistano Caetano Zamma (1935-2010), gravado originalmente na voz de Clélia Simone.


Após cerca de três meses de intenso trabalho que envolveu técnicos e antigos colaboradores da equipe de mecânica e manutenção da VARIG (realizado nas dependências do Aeroporto Salgado Filho), finalmente o PP-ANU despontou novamente reluzente e foi trazido para uma área especialmente preparada para recebê-lo, junto ao Shopping Center Boulevard Laçador, ao lado da cabeceira 11 do Aeroporto. O local abre todos os dias das 08h às 23h e além da visitação ao DC-3, conta com estacionamento, restaurantes, lojas e áreas de convivência para adultos e de recreação para as crianças. Durante este mês de Novembro, todas as quintas-feiras (das 18h às 21h) é possível conhecer o interior da aeronave, visita esta conduzida por alunos do curso de Comissário de Bordo da Escola AeroSul, devidamente trajados com uniformes de época da VARIG, numa verdadeira volta ao passado. Para saber mais sobre o projeto, visite o website oficial:

http://www.varigexperience.com.br/












Finalizando esta matéria, gostaríamos de parabenizar o Instituto Museu VARIG e todos os responsáveis envolvidos no projeto VARIG Experience, pela brilhante iniciativa de resgate da história da aviação brasileira e de incentivo à vocação aeronáutica. Ao juntar num mesmo local, aviação, cultura e lazer certamente está se plantando sementes das quais num futuro próximo, nascerá uma nova e apaixonada geração de aviadores e entusiastas da aviação.


Cena corriqueira no Shopping Center Boulevard Laçador: Avião Comercial e...

...aeronave de Instrução na final para pouso no Salgado Filho. Amanhã, quem sabe, trazendo nos comandos alguém que um dia começou o sonho de voar visitando o DC-3.

4 comentários:

PARABELLUM HOBBY&ART disse...

Parabens pela ótima matéria!

pampa14 disse...

Muito Obrigado!

Claudio Severino disse...

Prezado pampa14!
Parabéns pela bela reportagem. Destaca-se a qualidade jornalística! A inclusão do jingle de Natal foi, simplesmente, sensacional.

pampa14 disse...

Prezado Cláudio, obrigado, sempre nos esmeramos para trazer aos nossos leitores conteúdo de qualidade.

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