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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

P-95BM: Novas asas para a Aviação de Patrulha da FAB





Abrindo com chave de ouro as matérias de cunho militar neste ano de 2016, publicamos este artigo inédito e exclusivo a respeito do novo vetor da Aviação de Patrulha da Força Aérea Brasileira, o P-95M Bandeirante Patrulha. Recebido oficialmente em setembro de 2015 e após passar por um período de manutenção e ajustes no Parque de Material Aeronáutico dos Afonsos (PAMA-AF), no Rio de Janeiro e também participar do curso de instrução multimotor da FAB junto ao Primeiro Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (2º/5º GAv), em Natal/RN, Unidade Aérea aonde os futuros patrulheiros são formados, finalmente o FAB 7103 pôde repousar suas asas em sua morada, o hangar do Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7º GAv). Aproveitando a oportunidade, o blog Aviação em Floripa compareceu na manhã desta quinta-feira (18/02) à Base Aérea de Florianópolis, sede do Esquadrão Phoenix, para conhecer a máquina de perto e saber mais detalhes sobre seus equipamentos e a sua operação. São estas fotos e informações que compõem a presente matéria e que passamos a compartilhar com nossos leitores a partir de agora.

O FAB 7103 foi o primeiro P-95 modernizado recebido pela FAB e coube ao Esquadrão Phoenix a primazia em colocá-lo em operação. Na foto, o avião é visto taxiando pela pista principal do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis/SC. 


A Aviação de Patrulha hoje


Com uma história repleta de fatos e personagens marcantes, a Aviação de Patrulha da Força Aérea Brasileira foi forjada e teve seu batismo de fogo durante o maior conflito bélico da humanidade, a Segunda Guerra Mundial, quando em 22 de maio de 1942 o submarino italiano Barbarigo foi atacado nas imediações de Fernando de Noronha por um bombardeiro médio North American B-25 Mitchell comandado por militares brasileiros. Decorridos mais de 73 anos daquela ação heróica, a Aviação de Patrulha hoje está subordinada à Segunda Força Aérea (II FAE) e conta com três Unidades Aéreas estrategicamente posicionadas ao longo do litoral brasileiro de forma a cumprir com mais eficiência e pronta resposta as suas missões. São elas, o Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAv), o Esquadrão Orungan, sediado em Salvador (BA) e equipado com os quadrimotores Lockheed P-3AM Orion, o Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7º GAv), o Esquadrão Phoenix, que tem sua sede na Base Aérea de Florianópolis (SC) e o Terceiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (3º/7º GAv), o Esquadrão Netuno, localizado em Belém (PA), ambos equipados com os Embraer P-95A/B Bandeirante Patrulha.

FAB 7103 no pátio da Base Aérea de Florianópolis...


...e no hangar do Esquadrão Phoenix. Em breve a Unidade Aérea receberá mais três aeronaves modernizadas, completando a sua dotação.


Nasce um patrulheiro nato


Desenvolvido diretamente a partir do Embraer EMB-110 Bandeirante, um dos maiores sucessos da indústria aeronáutica brasileira, o EMB-111 Bandeirante Patrulha, como o nome sugere, é uma versão dedicada a missões de patrulhamento marítimo. O projeto foi apresentado à Força Aérea Brasileira em 1975 e visava inicialmente à substituição dos veteranos Lockheed P-15 Netuno, então empregados pelo 1º/7º GAv, em Salvador/BA. Com a aprovação da FAB, doze exemplares foram construídos, recebendo a designação militar de P-95 e matriculados como FAB 7050 a FAB 7061. Entre as novidades incorporadas ao avião estavam a adição de tanques de combustível nas pontas das asas, necessários para ampliar a autonomia nos geralmente longos voos sobre o mar, a instalação de suportes subalares para o transporte de armamentos e um potente farol de busca instalado no bordo de ataque da asa direita. Porém, a principal característica do “Bandeirulha” e que logo chama a atenção de quem o observa, diz respeito ao proeminente nariz do avião, projetado para receber o radar de busca AN/APS-128.

A principal característica do Bandeirante Patrulha é o seu proeminente radome, necessário para acomodar o radar de busca.

O advento de novas tecnologias e a necessidade por mais aviões de patrulha fez o Alto-Comando da Aeronáutica encomendar no final dos anos 80, um segundo lote de aeronaves à Embraer, desta vez incorporando uma série de melhoramentos e equipamentos dedicados à missão. Chamada de EMB-111A e recebendo a designação militar de P-95B, esta versão apresentava um novo radar de busca, o Thorn EMI SuperSearcher, novos sensores, sistemas de comunicação e navegação, agregando também novas funções aos esquadrões que o operavam, entre elas, as de Guerra Eletrônica e Posto de Comando Aéreo, monitorando e direcionando meios aéreos e navais contra eventuais ameaças. Externamente as principais diferenças para o P-95 eram a ausência do farol de busca e o diedro positivo (inclinação para cima) do estabilizador horizontal, um melhoramento aerodinâmico incorporado pela Embraer no modelo C-95C Bandeirante. No total foram recebidas 10 aeronaves desta versão e matriculadas como FAB 7100 a FAB 7109. Os aviões P-95 remanescentes do primeiro lote foram atualizados com os mesmos equipamentos de missão e redesignados como P-95A. Em diferentes momentos desde a sua entrada em serviço, os Bandeirante Patrulha serviram com o 1º/7º GAv (Salvador/BA), 2º/10º GAv (Campo Grande/MS), 1º GAE e 4º/7º GAv (Santa Cruz/RJ), 2º/7º GAv (Florianópolis/SC) e 3º/7º GAv (Belém/PA), sendo que atualmente apenas estes dois últimos continuam operando o modelo com suas dotações compostas por exemplares das versões P-95A e P-95B, embora apenas esta última tenha sido contemplada pelo processo de modernização.

P-95BM no hangar do Esquadrão Phoenix. Ao fundo, um dos P-95A da Unidade.


Melhorando a máquina


Em meados da década passada com o C-95 Bandeirante completando 30 anos de excelentes serviços prestados à Força Aérea Brasileira, iniciou-se uma discussão sobre o futuro da aeronave e a busca por um provável sucessor. Entretanto, ao verificar as características de emprego e operação, a confiabilidade e a versatilidade do Bandeirante, optou-se pela modernização da aeronave, sem dúvida, uma solução com um custo/benefício bem atraente, dada a excelência do projeto original, datado do início da década de 70. Dessa forma ficou estabelecido que 50 aviões seriam contemplados com a modernização, sendo 42 C-95, sobretudo das versões B e C e os 8 P-95B remanescentes, ainda em uso.

Para por em prática o projeto, ficaram definidas a Embraer e a AEL Sistemas como as principais empresas contratadas e o Parque de Manutenção Aeronáutica dos Afonsos (PAMA-AF), no Rio de Janeiro, como o local onde os aviões receberiam os últimos ajustes, pintura e seriam entregues para as Unidades Aéreas. Dentre os itens que seriam modificados ou adicionados às aeronaves modernizadas, os principais incluíam a substituição do painel de instrumentos analógico por outro, digital e dominado por telas multifuncionais (um conceito chamado de “Glass Cockpit”), concentrando nelas boa parte das informações vitais do voo, diminuindo significativamente a carga de trabalho dos pilotos. Também foi feita a substituição dos sistemas de comunicação e uma completa revitalização na estrutura da aeronave.


Painel de instrumentos do P-95B (fonte: Luciano Porto / www.spotter.com.br).

 Painel de instrumentos do P-95BM dominado pelas telas multifuncionais (fonte: Agência Força Aérea).


Quem vê o P-95 modernizado por fora, não consegue observar muitas alterações em relação à versão anterior. Além da nova pintura, em um tom de cinza mais escuro, similar à utilizada pelos Lockheed P-3AM Orion, foi acrescentada uma janela em forma de bolha na seção traseira do lado esquerdo da fuselagem, auxiliando o trabalho dos observadores em missões de busca. Também foram adicionadas novas antenas e a parte superior do radome ganhou uma grande protuberância, na verdade, um duto de ar para amenizar o aquecimento gerado pelos componentes eletrônicos do radar. Com relação ao emprego de armamento, nada mudou ou foi acrescentado, permanecendo a aeronave com sua capacidade de transportar sob as asas até quatro lançadores de foguetes não guiados de 70 mm.


O P-95BM ganhou uma nova pintura, em um tom de cinza mais escuro, similar ao utilizado pelo Lockheed P-3AM Orion. 

Detalhe da janela em forma de bolha. 

Detalhe do radome e do sensor dianteiro do MAE (Medidas de Apoio Eletrônico).

Detalhe do duto de ar colocado sobre o radome.

Detalhe da nacele do motor esquerdo e da seção dianteira da fuselagem.

Vista superior do FAB 7103.

Se externamente pouca coisa mudou, do lado de dentro podemos dizer que o P-95BM é uma aeronave completamente nova. Além das modificações expostas no parágrafo anterior, o agora designado P-95BM recebeu ainda uma série de equipamentos e sensores mais modernos para cumprir as suas atribuições, entre eles, o mais importante sem dúvida, foi a incorporação do radar de busca multímodo Selex Sea Spray 5000E. Com ele é possível detectar navios de grande porte a até 370 km de distância e fazer o acompanhamento de cerca de 200 alvos simultaneamente, realizar mapeamento de terreno, entre outras funções, dando uma capacidade excepcional para que os Esquadrões Phoenix e Netuno possam cumprir de maneira mais efetiva e precisa as missões de busca e salvamento e vigilância aérea do mar territorial brasileiro, combatendo as práticas de pesca ilegal, pirataria e crimes ambientais.

O protótipo do P-95 modernizado fez seu primeiro voo em 18 de dezembro de 2013, sendo escolhida para esta função a aeronave com a matrícula FAB 7108, então pertencente ao Esquadrão Phoenix. Seguiu-se um intenso programa de testes e certificações com o objetivo de analisar o funcionamento e a integração de todos os sistemas do avião e que culminaram com a entrega do primeiro exemplar, o FAB 7103 (c/n 110488), em setembro de 2015 ao seu novo operador, o 2º/7º GAv. Daqui por diante, seguindo o cronograma de entregas, as duas Unidades Aéreas deverão receber os sete aviões restantes, a saber, FAB 7100 (c/n 110474), FAB 7101 (c/n 110483), FAB 7104 (c/n 110489), FAB 7105 (c/n 110491), FAB 7106 (c/n 110493), FAB 7108 (c/n 110497) e FAB 7109 (c/n 110499), cada qual ficando com quatro aeronaves. É importante frisar que os P-95A empregados pelos Esquadrões Phoenix e Netuno continuarão operacionais, devendo ser utilizados principalmente para o treinamento e qualificação das tripulações e em missões de busca e vigilância.

O FAB 7103 recebe a atenção da equipe de solo no pátio da Base Aérea de Florianópolis.


Considerações finais


Sem dúvida a entrada em serviço do P-95BM marca uma nova etapa e eleva o patamar operacional da Aviação de Patrulha da Força Aérea Brasileira. É com ele que as equipagens do Esquadrão Phoenix e em breve, do Esquadrão Netuno, em Belém, passarão a voar na salvaguarda da nossa soberania e na proteção das riquezas do mar territorial brasileiro, também conhecido como “Amazônia Azul”. Com a chegada das aeronaves e os novos equipamentos de missão incorporados a elas, inicia-se agora um período de intenso treinamento para as tripulações “afiarem as garras”, com o objetivo de cumprir com eficácia e pronta resposta as suas missões. Voando de dia ou de noite, sob Céu de Brigadeiro ou em condições de tempo adversas, protegendo e lutando, essa é a Aviação de Patrulha. Fiéis ao legado, ao espírito guerreiro dos pioneiros e às tradições do passado, mas com os olhos voltados para o futuro, assim caminham os seus integrantes.

Esperamos com esta matéria ter trazido aos nossos leitores um panorama geral a respeito dos P-95 modernizados, fornecendo elementos que possam contribuir para o entendimento do ganho operacional que a Aviação de Patrulha da FAB alcançará com este vetor. Esse é o objetivo principal do nosso trabalho, ou seja, não apenas fotografar as aeronaves, mas mostrar para as pessoas, sobretudo aquelas que não vivenciam a aviação no seu dia-a-dia, o por quê e como se desenvolvem as atividades no meio aeronáutico, em especial, aquelas realizadas pelos militares da Força Aérea Brasileira. Neste contexto, as imagens servem apenas como um simples complemento para ilustrar e subsidiar os textos. Finalizando, gostaríamos de agradecer aos profissionais das Comunicações Sociais da Base Aérea de Florianópolis (SCS/BAFL) e do Esquadrão Phoenix (SCS/2º/7º GAv). Sem esse apoio a realização desta matéria não teria sido possível.



2 comentários:

André Luis C. disse...

Parabéns pelo artigo e fotos. Sem dúvida um importante reforço no equipamento. Na minha opinião faltou a incorporação de algum sistema FLIR para ampliar a capacidade de busca e identificação.

pampa14 disse...

Obrigado meu amigo!

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