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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Exercício Carranca 3: Uma missão de resgate





Introdução


A Base Aérea de Florianópolis (BAFL) está sediando até o dia 11 de abril, o Exercício Carranca 3. O treinamento, focado em ações simuladas na atividade de Busca e Salvamento, envolve um contingente de cerca de 350 militares, quatro Esquadrões e sete aeronaves, entre aviões e helicópteros, além da participação e apoio de diversas outras Organizações Militares da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil. Uma matéria completa sobre o treinamento pode ser vista clicando no link ao lado (Exercício Carranca 3), ou visitando a página oficial do Exercício Carranca 3:



O período da tarde do dia 08 de abril foi reservado pela organização do Exercício Carranca 3, a cargo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), para receber os veículos de imprensa e mídia especializada, interessados em conhecer de forma mais detalhada, o treinamento que está sendo realizado em Florianópolis. O Media Day, como o evento foi denominado, além de uma entrevista coletiva com a Direção do Exercício e uma visita às instalações de Comando e Controle do treinamento, teve como ponto alto, a possibilidade de acompanhar ao vivo, uma simulação de resgate de uma vítima em terra, feita por um helicóptero H-60L Blackhawk do Esquadrão Pantera. É importante salientar que o resgate efetuado, não foi programado para a imprensa, mas sim, parte integrante do treinamento, inclusive, toda a ação estava sendo atentamente observada e avaliada por militares da Força Aérea Brasileira. Se podemos apontar algo diferente na rotina do treinamento, certamente foi a nossa presença, privilegiados expectadores da missão de resgate.


O vetor


Um helicóptero H-60L Blackhawk está participando do Exercício Carranca 3, em Florianópolis. A aeronave pertence ao Quinto Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (5º/8º GAv), também conhecido como Esquadrão Pantera e tem sua sede na Base Aérea de Santa Maria (RS). A Força Aérea Brasileira conta atualmente com 16 exemplares do Blackhawk, sendo que oito deles estão sediados em Santa Maria e a outra metade encontra-se alocada ao Sétimo Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (7º/8º GAv), o Esquadrão Harpia, localizado na Base Aérea de Manaus (AM), na região Norte do Brasil. De origem estadunidense e fabricado pela Sikorsky, o Blackhawk é um helicóptero multimissão de porte médio. Dotado de duas turbinas e moderna aviônica, é considerado um dos melhores helicópteros de sua categoria. Em diferentes versões, é utilizado por diversas Forças Aéreas, Exércitos e Marinhas ao redor do mundo e já foi inúmeras vezes testado em combate, tendo participado de várias campanhas militares recentes, como por exemplo, a Guerra do Golfo e a invasão do Afeganistão. Também ganhou fama no cinema, protagonizando o filme de ação “Falcão Negro em perigo” (Black Hawk down), de 2001.


Helicóptero H-60L Blackhawk


O resgate


A partir de agora passamos a tratar do tema central desta matéria, a simulação de resgate que acompanhamos. Com o objetivo de deixar a leitura mais interessante, faremos a sequencia dos fatos na forma de narrativa. O texto será intercalado com fotos, e sempre que for necessário, acrescentaremos legendas às mesmas, a fim de complementar o que foi escrito.

Nota editorial: esta matéria contém algumas imagens que podem ser fortes para algumas pessoas. Insistimos porém que tudo não passa de uma simulação e os ferimentos aqui mostrados são fictícios.

Após a entrevista coletiva, nos dirigimos a duas vans que aguardavam os veículos de imprensa no estacionamento da Base Aérea de Florianópolis. Elas nos levariam a uma área dentro da própria base, onde a simulação aconteceria. Depois de rápido deslocamento e uma breve caminhada por uma picada aberta em meio a vegetação, chegamos ao local, uma pequena clareira. A cena e a “vítima” já estavam sendo preparadas para o treinamento, sendo que uma rápida observação, sugeria que se tratava de um piloto abatido, pela presença de um paraquedas e uma cadeira, simulando um assento ejetável. Impressionou o realismo da “vítima”, sendo que a mesma encontrava-se com o braço esquerdo decepado.


 O cenário da simulação sendo preparado.

"Vítima" agonizando, a espera do socorro.


No pátio da Base Aérea de Florianópolis, a tripulação do H-60L, já ciente da missão, finalizava os procedimentos para a decolagem até o local do resgate. Em poucos minutos, o helicóptero com seu som e sua silhueta inconfundíveis, já estava pairando sobre o local. Devido à pequena extensão da clareira, a equipe de resgate do Esquadrão Pantera teve que chegar ao “piloto abatido” utilizando o guincho da aeronave. Dois resgateiros desceram com equipamentos de primeiros socorros e uma maca para o transporte do ferido.

A fumaça simula os destroços fumegando da aeronave abatida ou o lançamento de um fumígeno pelo piloto e auxiliam a localização do local da queda para a equipe de resgate.








Nesta etapa o helicóptero se afasta um pouco e passa a acompanhar de um plano mais alto o trabalho da equipe em terra. Um dos motivos para isso é a impressionante corrente de vento descendente gerada pelo rotor principal do Blackhawk, o que dificultaria inclusive o trabalho dos socorristas. Com o helicóptero em voo pairado a pouco metros acima de onde estávamos, conseguir se equilibrar, manter os olhos abertos e fotografar, não é uma tarefa nada fácil.

Após uma rápida avaliação, os resgateiros prestam os primeiros socorros, colocam o colete cervical, enfaixam o braço decepado e colocam a ”vítima” sobre a maca. É importante registrar que durante toda simulação, a pessoa que faz o papel de resgatado, em nenhum momento facilita o trabalho da equipe de resgate, se contorcendo e gritando de dor, tornando o treinamento o mais realista possível.










O helicóptero volta a se aproximar e um membro da tripulação, ao sinal da equipe de terra, desce o cabo que vai conduzir todos à aeronave. Primeiramente são içados, a “vítima e um dos socorristas. Logo depois o outro resgateiro também já encontra-se no interior da aeronave. Com todos a bordo e em segurança, o helicóptero ruma novamente ao pátio da Base Aérea de Florianópolis, onde uma equipe médica já aguarda para encaminhar a “vítima” a uma Unidade de Saúde. Entre o acionamento e o retorno à BAFL, pouco mais de quinze minutos se passaram, refletindo o alto grau de preparo e profissionalismo da tripulação e dos resgateiros.







Durante toda a simulação de resgate, o trabalho dos socorristas foi permanentemente avaliado por um militar da Força Aérea Brasileira. Com prancheta em mãos e uma câmera instalada sobre a cabeça, todo o procedimento foi anotado e filmado. Ao final do treinamento, tripulação, equipe de resgate e avaliador, reúnem-se para discutir o exercício e analisar o que deu certo e o que pode ser melhorado.



Todo o trabalho dos resgateiros é registrado. Observe a câmera presa à cabeça do avaliador.

Seja numa ação de resgate de um piloto abatido ou numa operação de grande porte que envolva a participação de vários meios materiais e humanos, o preparo, o treinamento constante e o espírito de equipe estão sempre no cerne de exercícios como o Carranca 3, pois são nessas oportunidades que se aprimora a tarefa de salvar vidas, através da capacidade de planejamento, de coordenação e de resposta.


Agradecimentos


O blog Aviação em Floripa agradece à Direção do Exercício, ao DECEA e à Base Aérea de Florianópolis, pela oportunidade ímpar em poder acompanhar a simulação de resgate durante o Exercício Carranca 3. Esperamos que a publicação das matérias relativas ao treinamento possam de alguma forma contribuir para divulgar o trabalho realizado pela Força Aérea Brasileira.

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