Blog voltado para a divulgação da Aviação Comercial, Militar e Civil, mostrando através de textos informativos e
fotos, as aeronaves, suas histórias e curiosidades, Operações Militares, Eventos Aeronáuticos e muito mais!

Seja bem-vindo a bordo!!!

domingo, 18 de outubro de 2020

Uma imagem curiosa #31

 

Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura! 


Northrop F-5F Tiger II, FAB 4809, Base Aérea de Florianópolis, outubro de 1994.

O evento de Portões Abertos da Base Aérea de Florianópolis de 1994 possibilitou o registro da rara imagem de um Northrop F-5F Tiger II, pertencente ao 1º Esquadrão do 14º Grupo de Aviação, portando dois mísseis ar-ar de guiagem infravermelha AIM-9B Sidewinder nas pontas das asas. Sem dúvida alguma, o Sidewinder é o míssil ar-ar mais famoso e produzido no mundo, com centenas de milhares de exemplares fabricados a partir de 1953 e ainda continua com sua linha de montagem ativa até os dias atuais, com versões atualizadas e aperfeiçoadas. A FAB recebeu seus mísseis Sidewinder junto com o primeiro lote de aeronaves F-5E em meados a década de 70. Hoje em dia seu arsenal de mísseis ar-ar de curto alcance é composto por modelos mais modernos e avançados como o brasileiro MAA-1 Piranha (desenvolvido a partir do próprio Sidewinder) e os israelenses Rafael Python 3 e 4. Uma outra curiosidade desta foto é o próprio avião, um dos quatro F-5 bipostos adquiridos pela FAB em 1988 e que foi perdido em um acidente em 1996, próximo a cidade gaúcha de Triunfo.

Detalhe do míssil AIM-9B Sidewinder.



domingo, 11 de outubro de 2020

Uma imagem curiosa #30

Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura! 


Dassault Mirage IIIEBR, FAB 4913, Base Aérea de Florianópolis, outubro de 2002.

Um verdadeiro ícone da aviação de combate esteve presente na edição de 2002 do Portões Abertos da Base Aérea de Florianópolis (BAFL). Estamos falando do Dassault Mirage III, um dos melhores e mais emblemáticos caças supersônicos da sua geração. Não é exagero dizer que a palavra "Mirage", assim como "MiG", são quase expressões subliminares na cabeça das pessoas quando se fala em aeronaves de caça a jato, tal a importância e a notoriedade dessas grifes de aviões na história da Aviação mundial. Se isso não bastasse para afirmar o caráter histórico desta visita, até onde se sabe, esta foi a primeira e única vez em seus 33 anos de operação na FAB que o elegante jato francês com asas em delta tocou suas rodas, não apenas em Florianópolis, mas em solo catarinense e, salvo engano, esta honra coube a um piloto "manezinho da Ilha". O Mirage III, designado na FAB como F-103E/D foi utilizado entre os anos de 1972 a 2005 e por curiosidade, o exemplar que veio a Florianópolis, com a matrícula FAB 4913, encontra-se atualmente preservado no Museu Aerospacial, no Rio de Janeiro.



Detalhe do estabilizador vertical do Mirage III, onde se pode ver o jaguar estilizado e o designativo com as letras "AN" utilizado à época pelas aeronaves de combate da FAB, indicando seu local de origem, no caso, Anápolis/GO.




segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Uma imagem curiosa #29

 

Esta matéria é parte integrante de uma série de fotos e/ou vídeos especialmente escolhidos em nosso acervo analógico e digital, trazendo algum tipo de curiosidade, raridade ou informação interessante a respeito destas imagens, seja acerca da aeronave em si ou um fato ou história relacionados a ela. Ocasionalmente, publicaremos uma destas imagens, junto com um pequeno texto explicativo sobre a mesma. Informamos que a preocupação aqui não é com a qualidade em si da imagem, mas com o seu resgate histórico, tendo ainda o objetivo de auxiliar na preservação de uma parte da memória e da cultura aeronáutica brasileira. Seja muito bem vindo(a) a bordo e boa leitura!


Munições de 20 mm utilizadas pelos Northrop F-5EM da FAB no treinamento de Tiro Aéreo com suas devidas cores. Base Aérea de Canoas/RS, outubro de 2003.

Uma das atividades mais corriqueiras do treinamento anual das Unidades Aéreas de Caça da Força Aérea Brasileira é a prática do Tiro Aéreo, capacitando suas equipagens no engajamento e destruição de aeronaves inimigas das mais variadas performances, de acordo com o envelope de voo e as características de emprego de cada tipo de aeronave de caça operada pela FAB. Salvo estas especificidades, o modus operandi do treinamento é idêntico e comum para todos os Esquadrões, basicamente consistindo em uma aeronave-reboque com desempenho similar à ameaça aérea passível de enfrentamento, acompanhada de uma esquadrilha geralmente composta por quatro aviões. Cada um deles está armado com munição inerte com suas ogivas pintadas com cores específicas (amarelo, verde, vermelho e azul) para facilitar a identificação dos acertos de cada um dos pilotos. 

O alvo aéreo é também chamado de biruta e consiste em uma faixa de tecido com as dimensões aproximadas da fuselagem de um avião ou helicóptero, rebocado através de um cabo aço a uma distância segura da aeronave transportadora. Ao chegar à área destinada ao treinamento, a esquadrilha se posiciona e um a um, os aviões fazem sucessivas passagens no sentido perpendicular à faixa, castigando-a com rajadas curtas de suas armas. Ao atravessar a faixa, a ogiva deixa seu pigmento de tinta marcado nela, facilitando a identificação dos acertos. Ao término do treinamento, a biruta é alijada antes do pouso e recolhida pela equipe de apoio em solo e levada para a análise do desempenho de cada piloto.

A chegada da biruta ao pátio é ansiosamente aguardada pelos pilotos. Na foto acima, pilotos de A-27 Tucano do Esquadrão Flecha (Campo Grande/MS) analisam seus acertos. Base Aérea de Florianópolis, outubro de 2005.



quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Aviação em Floripa: 10 anos no ar!!!

Neste mês de outubro, o blog Aviação em Floripa está comemorando 10 anos de criação. Para celebrar esta importante marca, elaboramos um logotipo comemorativo (apresentado abaixo) e que ficará a partir de agora de forma permanente na aba lateral direita do blog, junto com outra grande conquista deste Editor, o de Membro Honorário da Força Aérea Brasileira. Nestes dez anos de atividade foram mais de 1 milhão e 300 mil acessos ao blog, advindos de todos os países e territórios habitados do nosso planeta, até mesmo da gelada Antártida e da ultra-fechada Coréia do Norte, provando que a busca por conhecimentos e informação não tem fronteiras. De forma a não deixar passar em branco esta data especial, estamos lançando esta matéria, na qual apresentamos aos nossos leitores, dez reportagens publicadas ao longo de nossa história e que resumem bem o trabalho proposto pelo blog desde o início, que sempre foi o de aliar fotos com textos que as explicam e as complementam, de forma didática e acessível a todos as pessoas, sejam elas do meio aeronáutico ou não, pois acreditamos que ninguém respeita e valoriza aquilo que não compreende totalmente. Dessa forma, temos certeza de estar dando nossa parcela de contribuição para a preservação da história e da cultura aeronáutica brasileira. Se você é recente por aqui ou passageiro de primeira viagem, seja bem-vindo(a). Aqui está uma excelente oportunidade para conhecer nosso trabalho. Se já é um veterano, com muitas milhas aéreas acumuladas em nossos voos por este fascinante mundo da aviação, uma chance de relembrar. De qualquer forma, novo ou antigo, reafirmo nossa alegria e satisfação de tê-lo(a) a bordo.


Logotipo comemorativo na cor bronze para marcar os 10 anos do blog Aviação em Floripa.


A partir de agora apresentamos 10 matérias especialmente selecionadas, em ordem cronológica. Cada uma delas traz a sua referente foto de capa, o título e a data em que foi lançada, além do link para acessá-la. Boa Leitura!!!



Título: Fuerza Aerea Uruguaya em Florianópolis
Data de publicação: Outubro de 2013




Título: Exercício SAR I: voando com o 1º G.T.T.
Data de publicação: Agosto de 2014




Titulo: Expoaer 2014: Os anfitriões - Esquadrão Pampa
Data de publicação: Outubro de 2014




Título: Exercício Carranca IV: Treinando para salvar vidas
Data de publicação: Março de 2015




Título: Exercício Helicóptero TA 2015



Titulo: Guia de Spotting em Florianópolis
Data de publicação: Janeiro de 2016




Titulo: P-95BM: Novas asas para a Aviação de Patrulha da FAB
Data de publicação: Fevereiro de 2016




Título: Aviação Naval Brasileira - 1916-2016
Data de publicação: Agosto de 2016




Título: Uma visita ao DTCEA-FL
Data de publicação: Setembro de 2016




Título: Asas protetoras sobre Santa Catarina
Data de publicação: Dezembro de 2016




quinta-feira, 24 de setembro de 2020

F-39E Gripen: Uma nova era para a FAB tem início em Santa Catarina




Um novo capítulo na história da Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira começou a ser escrito a partir de hoje, tendo terras catarinenses como cenário de fundo, mais precisamente o Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder (NVT/SBNF), localizado na cidade de Navegantes. Na tarde desta quinta-feira (24/9) a aeronave F-39E Gripen com a matrícula FAB 4100 ganhou pela primeira vez o céu brasileiro, com destino às instalações da Embraer Defesa e Segurança em Gavião Peixoto (GPX/SBGP), interior de São Paulo, dando prosseguimento ao longo período de avaliações e ensaios iniciado na Suécia no ano passado, a fim de cumprir os requisitos necessários para o desenvolvimento do avião. O blog Aviação em Floripa não poderia deixar passar em branco este marco para a FAB e para a indústria aeronáutica brasileira, sendo assim, estivemos em Navegantes durante esta semana e acompanhamos da melhor forma possível todos os detalhes deste momento histórico. Como resultado, brindamos nossos leitores com esta matéria super especial. Boa leitura!

Nota Editorial: Devido à grande quantidade de eventos relacionados à chegada do Gripen a Santa Catarina na última semana, não foi possível estar presente em todos eles, entretanto, contamos com a colaboração de amigos que gentilmente nos cederam algumas fotos. Além disso, algumas etapas foram com acesso restrito, sem a presença da imprensa e, nesse caso, utilizamos imagens oficiais divulgadas pelos canais oficiais que julgamos serem relevantes com o contexto da matéria. Convém ressaltar que esta exceção na forma como o blog Aviação em Floripa publica seus conteúdos foi feita única e exclusivamente, diante da importância do fato histórico, com o intuito de levar ao nosso público sempre a melhor e mais completa informação.



Antes do ar, por mar e terra


A longa viagem do F-39 Gripen (c/n 39-6001) até Santa Catarina teve início em 29 de agosto a partir do porto sueco de Norköping, localizado na região sudeste do país e distante cerca de 40 quilômetros de Linköping, onde fica o Centro de Testes da Saab. A aeronave foi embarcada no navio cargueiro MV Elke com bandeira de Antígua e Barbuda, fretado exclusivamente para esta empreitada, chegando ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes na manhã do dia 20 de setembro. O avião veio completamente montado, apenas sem o assento ejetável, apoiado sobre uma estrutura metálica própria para seu transporte. Ainda na tarde de Domingo ocorreu o procedimento de retirada do navio e após os trâmites alfandegários, o Gripen seguiu rebocado pelas ruas da cidade até o aeroporto (distante cerca de 2,5 quilômetros), entrando por um portão localizado junto à cabeceira 07 da pista do aeroporto, numa operação que transcorreu sob forte esquema de segurança durante a madrugada de terça-feira, a fim de não causar transtornos ao trânsito e evitar a presença de curiosos, mesmo assim, um grande número de pessoas acompanhou o trajeto. Diga-se de passagem, esta proximidade entre as duas instalações foi preponderante para a escolha de Navegantes como porta de entrada do avião no Brasil, não apenas para este primeiro avião, mas especula-se que os demais exemplares destinados à FAB fabricados na Suécia, deverão seguir o mesmo itinerário e modo de entrega.

Rota percorrida pelo MV Elke desde o porto de Norrköping até Navegantes/SC. Fonte: Marinetraffic.com

A pequena distância entre as instalações do Porto e o Aeroporto de Navegantes foi fundamental para a escolha de Santa Catarina para receber o Gripen. Imagem adaptada e editada a partir do Google Earth.


FAB 4100 no compartimento de cargas do MV Elke, a caminho do Brasil. Fonte: redes sociais




Um momento histórico! Precisamente às 09:35 do dia 20 de setembro o MV Elke adentra o canal do porto trazendo a bordo o primeiro Gripen E da FAB.

MV Elke atracado no Porto de Navegantes prestes a desembarcar sua valiosa carga.

Embora a viagem de navio entre a Suécia e o Brasil seja demorada (cerca de 3 semanas de navegação), é fato que ela se mostra muito mais segura do que fazer um voo desta natureza por meios próprios. Por se tratar de uma aeronave ainda em fase de testes, monomotora e com capacidade limitada de combustível (mesmo com tanques adicionais), o traslado por via aérea demandaria uma rota com diversas escalas, envolvendo a autorização prévia para sobrevoar vários países, sem contar a grande distância para atravessar o Oceano Atlântico, tendo poucos pontos de apoio para um eventual pouso de emergência. Um outro caminho seria transportar o Gripen em um avião cargueiro diretamente para Gavião Peixoto, certamente uma alternativa mais rápida, porém, talvez com um valor mais elevado e certamente exigiria sua desmontagem parcial. Sem dúvidas todas as opções foram avaliadas pela equipe que gerencia o projeto e a escolha pela via marítima deve ter se apresentado mais vantajosa em termos de logística e de custo/benefício. Ao contrário do que possa parecer, essa prática é bem corriqueira em entregas desta natureza, já sendo inclusive utilizada aqui mesmo em nosso país em outras oportunidades.

F-39E Gripen sendo retirado do porão de cargas do MV Elke. Crédito: Saab/Divulgação

Término do processo de retirada do navio. Crédito: Portonave/Divulgação

Vídeo oficial mostrando o procedimento de retirada do avião. Crédito: Saab do Brasil


Início do traslado entre o porto e o aeroporto. Crédito: Saab/Divulgação



Trajeto pelas ruas da cidade. Crédito: Giulliano B. Frassetto (website Máquinas Voadoras)

Trajeto terrestre do F-39 Gripen entre o Porto e o Aeroporto. A aeronave entrou por um portão de acesso recém-construído próximo à cabeceira 07 e acessou o hangar reservado a ela pela pista de pouso. Imagem adaptada e editada a partir do Google Earth.

Outro ponto positivo do aeroporto catarinense, além da proximidade com o porto, é a sua baixa frequência de voos comerciais e executivos, se comparada com outros aeroportos localizados em grandes centros, propiciando condições ideais para que a montagem dos equipamentos e testes em solo com o avião transcorresse da melhor forma possível. Um hangar foi previamente escolhido para receber a aeronave e foram necessários mais dois dias para o F-39 Gripen ser colocado em condições de voo, incluindo a instalação do assento ejetável com suas cargas explosivas, giro do motor, teste de taxiamento e a energização e verificação de todos os sistemas da aeronave com o objetivo de garantir a segurança e o sucesso do voo inaugural.

Chegada do avião ao hangar reservado para ele. Crédito: Saab/Divulgação

O local marcado com a cor vermelha foi escolhido para abrigar a aeronave durante sua passagem por Navegantes. Imagem adaptada e editada a partir do Google Earth.




Na tarde de quarta-feira a aeronave foi acionada pela primeira vez e efetuou uma rápido taxiamento pela pista de decolagem e logo em seguida retornou para o local de estacionamento, como mostram as fotos acima, registradas a partir do Terminal de Passageiros com exclusividade pelo blog Aviação em Floripa.



Enfim, o Gripen ganha os céus


Após passar mais de três semanas no mar e mais alguns dias em terra, eis que o grande dia chegou, devolvendo o Gripen ao seu habitat natural. Como um verdadeiro espetáculo a céu aberto, o dia 24 de setembro amanheceu repleto de expectativas, tendo como palco o Aeroporto de Navegantes, o público, profissionais de imprensa, toda a equipe envolvida no projeto, autoridades civis e militares, além de todos aqueles que tiveram o privilégio de presenciar este fato marcante, e claro, a estrela da festa, o F-39E Gripen. Acompanhe a partir de agora, uma sequência de fotos mostrando de forma crononógica o passo a passo deste momento histórico.




Duas aeronaves Northrop F-5EM/FM do Esquadrão Pampa foram escaladas para escoltar o Gripen após a decolagem até Gavião Peixoto. As aeronaves ficaram sediadas na Base Aérea de Florianópolis.


O Alerta SAR foi guarnecido por um dos H-60L Black Hawk do Esquadrão Pantera. Aqui vemos a aeronave em Florianópolis iniciando os preparativos de decolagem para Navegantes. 

Aeronave pronta no pátio aguardando o momento do acionamento.

Coube ao sueco Marcus Wandt, Piloto de Testes da Saab, a responsabilidade de realizar o primeiro voo do Gripen no Brasil.



Piloto guarnecendo a aeronave.



Preparativos finais da equipe de solo antes do táxi.

Para presenciar este momento histórico cada cantinho no aeroporto e no seu entorno foi disputado.

Fotógrafos e cinegrafistas a postos para registrar este momento histórico.



Início do táxi em direção à cabeceira 07 de Navegantes.


F-39 Gripen aguardando liberação de pista pela Torre de Controle e helicóptero H-60L prosseguindo para área próxima do aeródromo a fim de permanecer de prontidão durante a decolagem.

E eis que chega o momento histórico tão esperado por todos. Pela primeira vez o F-39 Gripen ganha o céu brasileiro, seguindo para Gavião Peixoto/SP, onde continuará um intensivo período de avaliação e testes, que deverá ser quebrado apenas no dia 23 de outubro, data em que se comemora o Dia do Aviador, quando está prevista a apresentação oficial do Gripen, com um sobrevoo sobre a cidade de Brasília/DF.



Um pequeno notável


O Saab Gripen foi o vencedor em 2013 da concorrência internacional elaborada pelo Governo Brasileiro, denominada como Programa FX-2, visando o reequipamento e a modernização da frota de aviões de caça da Força Aérea Brasileira, dotando-a de um vetor de última geração em termos de desempenho, sensores e armamentos. O avião sueco desbancou em sua fase final dois concorrentes de peso, o Boeing F/A-18 Super Hornet e o Dassault Rafale. O modelo adquirido pela FAB é baseado no Gripen NG, desenvolvido pela Saab a partir do Gripen C/D já operado pela própria Suécia e diversas outras forças aéreas, entretanto, não é exagero dizer que trata-se de um avião completamente novo, tal o número de tecnologias e aperfeiçoamentos agregados ao projeto. Entre eles, está uma nova motorização, o turbofan General Electric F-414-GE-39E (gerando cerca de 25% a mais de potência que o motor das versões anteriores do Gripen), maior capacidade interna de combustível, um novo radar de Varredura Eletrônica Ativa (da sigla em inglês AESA, Active Electronally Scaned Array), o ES-05 Raven, desenvolvido pela italiana Leonardo, um painel de voo totalmente redesenhado do tipo WAD (Wide Area Display), produzido pela brasileira AEL Sistemas, além de diversos sensores e armamentos especialmente planejados para a aeronave.

O infográfico acima mostra as principais melhorias implementadas no Gripen E/F em relação ao seu antecessor, o Gripen C/D. Fonte: www.militarypower.com.br


Diagrama em corte com as principais características, componentes e antenas do Gripen E. Fonte: https://br.pinterest.com/

O primeiro Gripen E destinado à FAB voou em agosto do ano passado e desde então juntou-se aos demais modelos de pré-produção cumprindo uma exaustiva carga de ensaios de testes em solo e em voo com a finalidade de aferir se a aeronave atende a todos os requisitos técnicos e operacionais estabelecidos no contrato. A partir de agora este exemplar dará continuidade ao programa de desenvolvimento voando a partir do território nacional, sendo avaliado por técnicos da Embraer e da Saab. Todo esse trabalho será realizado junto ao Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN, do inglês Gripen Design and Development Network) e no Centro de Ensaios em Voo do Gripen (GTFC-B, Gripen Test Flight Center Brasil), ambos localizados juntos à fábrica da Embraer em Gavião Peixoto. No momento, além do 39-6001, outros seis Gripen E estão participando da campanha de ensaios, avaliando uma série de parâmetros inerentes à operação da aeronave, tais como o envelope de voo, além de diversos sistemas e sensores embarcados. Cabe ressaltar que esses exemplares são chamados de FTI (do inglês, Flight Test Instrumentation), ainda sem vários equipamentos e a capacidade total de armamento e sistemas que a versão operacional terá a seu dispor. De acordo com o cronograma atualizado e vigente, a Força Aérea Brasileira deverá receber oficialmente seu primeiro exemplar no último trimestre de 2021 e o último, completando as 36 unidades, em 2026.

Cronograma atual de entregas dos 36 Gripen E/F para a FAB (disposto no campo com a cor laranja), com quatro aeronaves em 2021 (incluindo o FAB4100), sete em 2022, seis em 2023, oito em 2024, nove em 2025 e finalmente, duas em 2026.  Fonte: https://estrategiaglobal.blog.br/


Diagrama mostrando a capacidade e tipos de cargas externas do Gripen E/F. Fonte: Saab


Opções de armamento ar-ar para o Gripen E/F, incluindo os tipos já em uso atualmente na Força Aérea Brasileira. Fonte: https://aeromagazine.uol.com.br/


A arte acima mostra os diversos tipos de armamentos ar-ar, ar-solo e pods de reconhecimento e de aquisição de alvos já integrados ao Gripen E. A compra destes armamentos e sensores depende de cada país, mas eles já estão previamente incorporados aos sistemas da aeronave. Fonte: 3D STUDIO MAX/Eskil Nyholm via https://www.aereo.jor.br/

O Gripen E é um caça leve multifuncional e monomotor, classificado no jargão das aeronaves de combate como de quarta geração e meia ou 4++. Desenvolvido pela empresa Saab, sua célula é baseada no JAS-39C/D utilizado pela Suécia e por forças aéreas de mais  quatro países (África do Sul, República Tcheca, Hungria e Tailândia). O contrato assinado com o Brasil contempla a transferência de tecnologia (algo essencial para a indústria aeronáutica nacional), além de diversas compensações comerciais, chamadas de offsets. A compra inicial envolve a aquisição de 36 aeronaves, sendo 28 do modelo F-39E (com um assento) mais 8 F-39F (com dois assentos), este último, até o momento, exclusivo para o Brasil. Deste montante, quinze deles, sendo oito monopostos e sete bipostos, serão integralmente construídos no Brasil, a partir das instalações da Embraer em Gavião Peixoto. Com o passar do tempo, toda a frota de aviões de combate da FAB deverá ser padronizada com este modelo, substituindo os atuais vetores de Defesa Aérea, os Northrop F-5EM/FM Tiger II e mais a frente, os aviões de Ataque e Reconhecimento, os Embraer/Alenia/Aermacchi A-1. Para tal, novos exemplares deverão ser adquiridos no futuro. O cronograma oficial prevê a entrega do primeiro F-39 Gripen operacional para a Força Aérea Brasileira no final do ano que vem e a primeira Unidade Aérea a operá-lo, será o Primeiro Grupo de Defesa Aérea, sediado na Ala 2, em Anápolis/GO.

Desenho em três vistas do Gripen E. Fonte: https://br.pinterest.com/


Componentes do avião a serem desenvolvidos ou fabricados por empresas nacionais. Fonte: https://revistapesquisa.fapesp.br/


Um projeto deste porte sempre envolve a contribuição e a participação multinacional, seja na construção da aeronave em si como no fornecimento de peças, sistemas e componentes, entretanto, o mais importante será o know-how que a indústria nacional absorverá com a construção do Gripen E/F, através da transferência de tecnologia, elementos estes que podem ser vistos no diagrama acima. Fonte: https://aeromagazine.uol.com.br/


Palavras finais


A chegada do Gripen representa um divisor de águas. É inegável o salto tecnológico que a Força Aérea Brasileira ganhará com a entrada em serviço do F-39E/F Gripen, inserindo-a definitivamente no estado da arte da moderna arena do combate aéreo, permitindo o aprimoramento e o desenvolvimento de todo um conjunto de novas doutrinas e táticas de emprego, por conseguinte, elevando o patamar operacional de suas equipagens e da força aérea como um todo. Ganha toda a indústria nacional, não apenas as empresas ligadas diretamente ao projeto ou ao setor aeronáutico, permitindo a absorção de conhecimento e o domínio de várias tecnologias de ponta que permeiam a criação e o desenvolvimento de uma aeronave de última geração, seja no projeto em si, seja na confecção e produção de componentes ou na integração de sistemas, além de incentivar a geração de empregos em todos os níveis da cadeia produtiva que envolvem um programa desse porte. Enfim, ganha o Brasil, ao adquirir um vetor com grande poder de dissuasão no sempre complexo tabuleiro de xadrez da geopolítica regional, recolocando nossa aviação de combate em termos quantitativos e qualitativos novamente na liderança continental, garantindo que nosso imenso manancial de riquezas naturais e a soberania de nosso espaço aéreo continuem bem defendidos.


Agradecimentos


Gostaríamos de agradecer à Assessoria de Imprensa da Força Aérea Brasileira pelo convite e pela oportunidade em presenciar de maneira privilegiada deste momento histórico, ao Comando da Base Aérea de Florianópolis, pela autorização em registrar as aeronaves destacadas para apoiar a operação de decolagem e traslado em voo do Gripen, aos profissionais de sua Comunicação Social pelo acompanhamento de pátio e demais informações, enfim, a todos os amigos que direta ou indiretamente ajudaram de alguma forma a tornar esta matéria possível.