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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Força Aérea Brasileira - 80 anos



 

Exatamente há 80 anos nesta data era criado o então Ministério da Aeronáutica, absorvendo os meios aéreos, pessoal, instalações e demais equipamentos da Aviação Militar e da Aviação Naval, vinculadas respectivamente ao Exército Brasileiro e à Marinha do Brasil. É importante dizer que o Brasil foi o primeiro país das Américas e de todo o Hemisfério Sul a unificar sua Aviação Militar em uma estrutura de comando própria, a frente até mesmo dos Estados Unidos, que só criaram sua força aérea seis anos adiante, em 1947. Para celebrar o aniversário da Força Aérea Brasileira, elaboramos esta matéria especial, na qual vamos contar e mostrar, através de infográficos e tabelas inéditas e exclusivas, os fatos marcantes de sua história, sua estrutura organizacional, Unidades Aéreas, as aeronaves atualmente em uso e muito mais. Boa leitura!


Logotipo oficial comemorativo pelos 80 anos de criação da Força Aérea Brasileira.


Um pouco de história

A história da Aviação Militar brasileira tem início poucos anos após o feito de Alberto Santos Dumont, em demonstrar com seu 14-Bis, em 23 outubro de 1906, que o voo de uma aeronave por meios próprios e de maneira sustentada era possível. Entre os primeiros aviadores militares brasileiros estavam os Tenentes Jorge Henrique Möller (Marinha do Brasil) e Ricardo João Kirk (Exército Brasileiro), brevetados na França, respectivamente nos anos de 1911 e 1912, tornando-se os pioneiros em difundir a ideia do emprego do avião como arma aérea e na criação das primeiras escolas de formação de pilotos militares em nosso país. Nas próximas três décadas, a Aviação Militar e a Aviação Naval tomaram forma, ganharam experiência, expandiram suas asas e iniciaram a integração do imenso território nacional, através dos Correios Aéreos de ambas as forças. Entretanto, o advento da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) mostrou a importância da aviação centralizada em uma estrutura própria, unificando seu emprego e a tomada de decisões, prática que já vinha sendo adotada com sucesso por vários países do continente europeu e assim, em 20 de janeiro de 1941, o Decreto-Lei nº 2.961 instituía o Ministério da Aeronáutica, extinguindo as Aviações Militar e Naval e ao mesmo tempo criando as Forças Aéreas Nacionais, integrando ainda sob o mesmo comando, o Departamento de Aeronáutica Civil (DAC) e o Ministério de Viação e Obras Públicas, tendo como seu primeiro Ministro, o Sr. Joaquim Pedro Salgado Filho. Acompanhe nas tabelas abaixo, em ordem cronológica, alguns dos muitos fatos históricos e operacionais que marcaram a trajetória da Força Aérea Brasileira ao longo destes oitenta anos.






Complementando e ilustrando alguns dos acontecimentos expostos pelas tabelas acima, as figuras a seguir apresentam uma série de vídeos com imagens e depoimentos sobre diversos fatos históricos da Força Aérea Brasileira. Para acessar este material, basta clicar sobre cada uma delas.


Década de 40

Décadas de 50 e 60.

Décadas de 70 e 80.

Décadas de 90 e 2000.


A Força Aérea Brasileira aos 100 anos

No final de 2016, a Força Aérea Brasileira deu início a uma grande reestruturação organizacional visando essencialmente a maximização dos recursos materiais, humanos e financeiros, em prol do seu emprego operacional e em consonância com sua missão, que é a de manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vista à defesa da Pátria. Nesse sentido foi elaborado um plano, chamado de "Força Aérea 100", de forma a garantir que em 2041, quando a FAB completará um século de existência, ela tenha uma estrutura plenamente operacional, moderna e integrada para atender suas demandas e desafios. Entre as primeiras ações implementadas estavam a criação das Alas Aéreas, a extinção ou redenominação de diversas Organizações Militares e a realocação de Unidades Aéreas, além de outras mudanças administrativas. Dada a sua grandeza, desde sua implantação, o plano vem continuamente sofrendo ajustes e aperfeiçoamentos. Mais recentemente foi anunciado o início da reativação das Bases Aéreas (complementando as atividades das Alas Aéreas) e dos Comandos Aéreos, agora em número de oito.

No momento, doze Alas Aéreas estão operacionais. Todas elas abrigam pelo menos uma Unidade Aérea. Fonte: FAB


Nova divisão dos Comandos Aéreos, agora com nomenclaturas regionalizadas similares às utilizadas pelo Exército Brasileiro (EB). Fonte: FAB


Clique na imagem acima e assista ao vídeo sobre a reestruturação da FAB.


O Brasil possui dimensões continentais, com mais de 8 milhões de km², sendo o quinto país do mundo em extensão territorial. Além disso, nossa nação conta com uma Zona Econômica Exclusiva (ZEE) e por força de acordos internacionais, é responsável por prover Controle Aéreo e também organizar e executar missões de Busca e Salvamento (SAR) sob uma vasta porção do Atlântico Sul, totalizando mais de 22 milhões de km², área equivalente ao dobro do continente europeu. Controlar, Defender e Integrar esta área é função da Força Aérea Brasileira e, para evidenciar e divulgar estas atividades junto à sociedade civil, em 2017 foi elaborado o conceito chamado de Dimensão 22. Além da veiculação de um vídeo publicitário nas redes sociais e emissoras de TV aberta, a campanha contou também com o lançamento de um selo e carimbo postais. Além disso, o logotipo pode ser visto estampado nos uniformes e macacões de voo dos militares e na fuselagem das aeronaves da FAB.

O logotipo Dimensão 22 pode ser visto nos fardamentos e aeronaves da FAB.

Esta imensa área é responsabilidade diuturnamente da Força Aérea Brasileira. Fonte: FAB


Clique na imagem acima e assista ao vídeo institucional da campanha Dimensão 22.


Organograma geral do Comando da Aeronáutica. Fonte: FAB

Dentro da atual estrutura do Comando da Aeronáutica, existem sete grandes Organizações Militares que compõem a sua espinha dorsal. Não é exagero dizer que nelas estão efetivamente concentradas todas as ações e atividades da Força Aérea Brasileira, uma vez que congregam os braços Operacional, Aeroespacial, Logístico, de Controle do Espaço Aéreo, Pesquisa e Desenvolvimento, Administrativo, de Ensino e Saúde. São elas, o Comando de Preparo (COMPREP), Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE), Comando-Geral de Apoio (COMGAP), Comando-Geral de Pessoal (COMGEP), Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).










A Força Aérea Brasileira hoje

A fim de cumprir sua missão constitucional, a Força Aérea Brasileira está atualmente estruturada em 41 Unidades Aéreas operacionais de Caça, Ataque, Transporte e Reabastecimento em Voo, Guerra Eletrônica e Reconhecimento, Asas Rotativas, Patrulha Marítima, Busca e Salvamento, Treinamento e Calibração Eletrônica. Além dessas, conta ainda com um Esquadrão de Demonstração Aérea e um de Ensaios em Voo. Todas elas, podem ser vistas nas tabelas abaixo, contendo os respectivos emblemas, designação, códigos-rádio, sedes e aeronaves atualmente utilizadas.

Nota Editorial: Para aqueles que não estão familiarizados com a nomenclatura utilizada pela FAB na identificação de suas Unidades Aéreas, ela é composta de maneira geral por dois números dispostos na forma ordinal, separados por uma barra, onde o primeiro algarismo refere-se ao Esquadrão e o segundo, ao Grupo de Aviação (GAv) ao qual ele encontra-se subordinado. Como exemplo, ao vermos 1º/3º GAv, estamos falando do Primeiro Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação. Além dos GAv, existem outras designações de acordo com suas funções, assim temos, o GT (Grupo de Transporte), GTT (Grupo de Transporte de Tropas), GAvCa (Grupo de Aviação de Caça), GDA (Grupo de Defesa Aérea), ETA (Esquadrão de Transporte Aéreo) e EIA (Esquadrão de Instrução Aérea). Finalizando, temos ainda quatro Unidades que apresentam apenas a sigla, sem numeração associada, pois são únicas, são elas o EDA (Esquadrão de Demonstração Aérea), GEIV (Grupo Especial de Inspeção em Voo), GTE (Grupo de Transporte Especial) e IPEV (Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo).


Unidades Aéreas de Caça e Ataque da FAB.

        Unidades Aéreas de Transporte e Reabastecimento em Voo da FAB.

Unidades Aéreas de Guerra Eletrônica e Reconhecimento da FAB.

Unidades Aéreas de Asas Rotativas da FAB.

Unidades Aéreas de Patrulha Marítima da FAB.

Unidade Aérea de Busca e Salvamento da FAB.

Unidades Aéreas de Treinamento da FAB.

Unidade Aérea de Calibração Eletrônica da FAB.

Unidade Aérea de Demonstração da FAB.

Unidade Aérea de Ensaios em Voo da FAB.

Além das Unidades Aéreas listadas acima, diversas outras Organizações Militares da Força Aérea Brasileira operam aeronaves em missões administrativas ou de ligação entre suas sedes e o restante do país. Os aviões utilizados nesta função são em grande parte modelos Cessna C-98 Caravan ou C-95 Bandeirante em diferentes versões.

Os Esquadrões operacionais da FAB encontram-se agrupados dentro da estrutura do Comando de Preparo (COMPREP), distribuídos em 12 Alas Aéreas espalhadas por todas as regiões do Brasil. Fora desta estrutura, a Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga/SP, o Instituto de Pesquisa e Ensaios em Voo (IPEV), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aerospacial (DCTA), em São José dos Campos/SP e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), com sede no Rio de Janeiro/RJ, possuem Unidades Aéreas dentro de suas organizações, a fim de cumprir suas missões. As tabelas a seguir mostram a distribuição geográfica das Alas e demais Organizações Militares que operam aeronaves e suas respectivas Unidades Aéreas.




Outras sete Organizações Militares não foram convertidas em Alas Aéreas, permanecendo com a denominação de Base Aérea, porém, tiveram suas Unidades Aéreas realocadas e passaram a ser subordinadas à Secretaria de Economia, Finanças e Administração da Aeronáutica (SEFA), entretanto, estão completamente aptas a qualquer momento, a receber Unidades Aéreas desdobradas em caso de necessidade ou para a realização de Treinamentos Operacionais. São elas:



As aeronaves


Razão de ser de qualquer Força Aérea, apresentamos abaixo os Aviões, Helicópteros e Aeronaves Remotamente Pilotadas (ARPs), atualmente em uso operacional com a Força Aérea Brasileira. Elas estão dispostas em forma de tabelas individuais contendo informações, dados técnicos e algumas fotos de cada uma delas. A quantidade atual de cada aeronave em uso foi baseada em grande parte nos dados publicados na Edição 573, de julho de 2020, da Revista Flap Internacional, Aviação Militar na América Latina, complementados com informações pessoais e pesquisas em outras fontes literárias ou na internet. 

Nota editorial: Além das aeronaves listadas a seguir, a Força Aérea Brasileira opera junto à Academia da Força Aérea, um Clube de Voo a Vela (CVV/AFA), utilizado pelos Cadetes da AFA aos finais de semana em atividades de recreação e iniciação ao voo, frota composta por rebocadores Embraer EMB-202 Ipanema e diversos tipos de planadores. Por se tratarem de uso recreativo, estes equipamentos não constam das tabelas abaixo, entretanto, para fins de registro/matrícula e por efetivamente integrarem o inventário da FAB, os incluímos em tabela específica mais abaixo.


Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB

Crédito das imagens: FAB/website Spotter

Crédito das imagens: FAB

* Catorze exemplares contratados para modernização, nove entregues até o presente momento.
** Quatro exemplares entregues de uma encomenda de 28 unidades.
*** Dois exemplares entregues de uma encomenda de 4 unidades.
**** Quatro exemplares entregues de uma encomenda de 6 unidades.
***** Sete exemplares entregues de uma encomenda de 16 unidades.



¹ O primeiro KC-390 foi entregue à FAB em setembro de 2019, com a matrícula FAB 2853. Em maio de 2018, o avião de matrícula PT-ZNF (futuro FAB 2850) sofreu avarias durante testes de solo ao sair da pista. Não se sabe ao certo se a aeronave será recuperada ou se a série de matrículas passará a se iniciar em FAB 2851. A FAB tem sob encomenda um total de 28 aeronaves deste tipo, com quatro delas entregues até o momento.

² Oito H-36 Caracal entregues de uma encomenda de dezesseis aeronaves, com a série de matrícula iniciando em FAB 8510, devendo se estender até FAB 8525. Segundo a Revista Flap Internacional em sua Edição 573, de julho de 2020, as duas últimas unidades deste lote seriam substituídas por dois exemplares de H-50 Esquilo. Isto se confirmando, o último H-36 receberia a matrícula FAB 8523.


Palavras finais


Oito décadas passaram voando na velocidade de um caça supersônico, trazendo em sua esteira, as vitórias, os momentos difíceis, os desafios e as grandes conquistas, forjando a Força Aérea Brasileira no que ela é hoje, uma instituição respeitada dentro e fora do país, por sua capacidade operacional e profissionalismo. As dimensões do território brasileiro impõem uma parcela a mais de comprometimento aos homens e mulheres que vestem o azul, sempre prontos, seja em terra ou a bordo de seus pássaros de metal, diuturnamente a enfrentar nuvens e céus, para manter a soberania do espaço aéreo brasileiro, controlando, defendendo e integrando nossa nação sob as asas que protegem o país. Amparados nos sacrifícios e nas glórias do passado, repleto de feitos marcantes e heróicos protagonizados pelos desbravadores de outrora, os bandeirantes audazes do azul de hoje seguem com ânimo forte seu ousado voo, firme e destemido, sob a proteção do Cruzeiro do Sul e com a manete de potência toda à frente, seja em tempos de paz ou sob a metralha da guerra, mesmo tendo a tocaia da morte como companheira. O futuro sem dúvida trará novas demandas, mas também é certo que ao olharmos para cima, continuaremos a ver os filhos altivos dos ares, lançando-se sobranceiros ao vento, na salvaguarda de nossos campos, cidades e mares. É isso que importa! Que venham os próximos oitenta anos!


Clique sobre a imagem e veja este vídeo em homenagem à Força Aérea Brasileira.



Referências Webgráficas e Bibiográficas:

FORÇA AÉREA BRASILEIRA. Força Aérea Brasileira, 2020. Disponível em: <https://www.fab.mil.br/index.php>. Acesso em: 13 out, 2020.

CUNHA, Rudnei Dias da. História da Força Aérea Brasileira, 2005. Disponível em: <http://www.rudnei.cunha.nom.br/FAB/>. Acesso em: 16 out. 2020.

PORTO, Luciano. Spotter, 2020. Disponível em: <http://www.spotter.com.br/>. Acesso em: 11 nov. 2020.

FLORES Jr., Jackson. Aviação Militar Brasileira: 1916-2015. Rio de Janeiro: Action, 2015.

AVIAÇÃO Militar na América Latina. Aviação Militar na América Latina. Flap Internacional, São Paulo, n.573, p. 20-21, jul. 2020.